Brasília - O suposto bicheiro Carlos Augusto Ramos, o ''Carlinhos Cachoeira'', acrescentou poucos fatos novos ao inquérito instaurado pela Polícia Federal (PF) para apurar o envolvimento o ex-subchefe de Assuntos Parlamentares da Casa Civil Waldomiro Diniz com o suposto recebimento de propina. No depoimento prestado ontem, ele limitou-se a confirmar ao delegado Antônio César Nunes o que havia dito ao Ministério Público Federal (MPF) há duas semanas: que Diniz queria extorqui-lo e que é o autor da gravação em que o ele lhe cobra suposta propina na negociação de doações para campanhas eleitorais.
Mesmo assim, a PF avalia que o interrogatório foi proveitoso. ''Toda declaração clareia o caso, mas é necessário agora juntá-las a outros fatos'', disse Nunes.
''Carlinhos Cachoeira'' chegou às 15 horas à sede da superintendência, acompanhado de cinco advogados e, tanto na entrada como na saída do prédio, recusou-se a falar com jornalistas. A mesma atitude ele adotou em relação ao delegado, ao ser interrogado. Aparentemente bem instruído pelos advogados, ''Carlinhos Cachoeira'' alegou que só falaria em juízo, quando Nunes o questionava sobre alguns fatos, como, por exemplo, as gravações em que Diniz aparece supostamente lhe pedindo propina.
A PF não revelou o teor das poucas declarações dadas por ''Carlinhos Cachoeira'', até mesmo daquelas em que ele alegou ter respondido ao MPF. Há duas semanas, o empresário confirmou a procuradores que fora ele o autor da fita com Diniz. Além disso, ele teria assegurado ao MPF que o ex-assessor palaciano tentara extorqui-lo. Na ocasião, ''Carlinhos Cachoeira'' também revelou que um ex-assessor de Diniz, Armando Dilli (que morreu em dezembro), lhe teria pedido dinheiro várias vezes, afirmando que seria para o ex-subchefe. Em outros momentos do depoimento de ontem, ''Carlinhos Cachoeira'' foi interrompido pelos advogados, enquanto tentava responder a alguma pergunta, o que levou o delegado a advertir os defensores.
O segundo depoimento aconteceu duas horas depois de ''Carlinhos Cachoeira''. Foi o do ex-sócio dele, Carlos Roberto Martins, que dissera ao MPF, no dia 7, que foi o ex-assessor palaciano que aconselhou ''Carlinhos Cachoeira'' a estender os negócios para o Rio, na época em que era presidente da Loteria do Estado do Rio de Janeiro (Loterj). O depoimento foi mantido em sigilo pelo delegado, que os considerou ''esclarecedores''.
Hoje, Diniz será interrogado por duas vezes na PF. Uma sobre um inquérito que ele responde no Rio, desde à época em que foi presidente da Loterj. Ao mesmo tempo, será ouvido sobre o envolvimento com ''Carlinhos Cachoeira''. Depois, será a vez de prestar depoimento ao MPF, também sobre supostas irregularidades na Loterj.

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