Curitiba - O empresário Carlinhos Augusto de Almeida Cachoeiro, conhecido como Carlinhos Cachoeira e apontado como sendo um dos maiores bicheiros do Rio de Janeiro, enviou ontem um requerimento ao Núcleo de Repressão a Crimes Econômicos (Nurce) pedindo para ser ouvido no inquérito que investiga o edital de concorrência pública para exploração do serviço de videoloterias no Paraná através de carta precatória. Carlinhos Cachoeira mora em Anópolis (RJ) e foi convocado para depor em Curitiba na tarde de ontem.
A justificativa para não poder se deslocar ao Paraná foi falta de segurança. ''Ele alega que corre risco de morrer com deslocamentos longos, como no caso do interior do Rio de Janeiro para o Paraná'', afirmou o delegado Nailor de Lima, responsável pelo inquérito. O Nurce está investigando o caso a pedido do Ministério Público (MP) estadual, que encontrou indícios de irregularidades. Das 32 empresas que compraram o edital de licitação publicado em 2001, apenas três se credenciaram para a disputa. Duas delas foram descredenciadas no decorrer do processo.
Apenas uma chegou até o final da licitação: Larami Diversões e Entretenimento, inicialmente de propriedade do grupo argentino liderado por Luiz Carlos Ramirez e com capital de R$ 5 mil. Posteriormente, a Larami foi vendida e teve como uma das acionárias a empresa goiana Brazilian Gaming Partners Participação, Administração e Empreendimentos, que era de Carlinhos Cachoeira e do também argentino Roberto Sérgio Coppola. Com a alteração contratual, a empresa passou a ter capital de R$ 600 mil. O edital de licitação exigia que o capital mínimo da empresa que operaria videoloterias no Estado deveria ser de R$ 500 mil.
Cachoeira ganhou notoriedade nacional depois que divulgou uma fita de vídeo mostrando pedido de propina do ex-assessor parlamentar da Casa Civil do Palácio do Planalto Waldomiro Diniz no valor de 1% do que havia sido negociado com contratos acertados em licitação pública.
O edital do Paraná foi questionado no Tribunal de Contas (TC) e no MP pela empresa multinacional Gethec, que operou o sistema de loterias no Estado entre os anos de 1997 e 2001. Entre as denúncias que estão sendo investigadas estão a lavagem de dinheiro, a subcontratação para o fornecimento de terminais de videoloterias e a constituição da empresa pouco antes do lançamento do edital.
Já foram ouvidos os principais funcionários do Serviço de Loterias do Paraná (Serlopar) que participaram da licitação. O delegado pretende ouvir os sócios da Larami e, na semana que vem, poderá colher pessoalmente no interior do Rio de Janeiro o depoimento de Cachoeira. Durante o período de contrato no Paraná, a Larami subcontratou mais de 500 máquinas de videoloteria.

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