O ex-presidente do Banco Marka Salvatore Alberto Cacciola, que estava passeando na Suíça até ser convocado pela CPI dos Bancos e gastou R$ 3,4 milhões em patrocínio de esporte náutico no ano passado, está ‘‘quebrado’’ e sem condições de pagar o advogado, segundo o profissional que o defende, Antônio Carlos de Almeida Castro. Cacciola prestou depoimento ontem na Polícia Federal, em Brasília, e disse que toda a operação de compra de dólar no Banco Central abaixo do preço de mercado foi legal. Antônio Carlos disse que cabe ao BC, no entanto, explicar a ‘‘oportunidade’’ da operação.
Antônio Carlos disse que Cacciola repetiu na Polícia Federal todo o depoimento que prestou no BC na última terça-feira, com um pouco mais de detalhes técnicos. O advogado disse que, a partir do depoimento na PF, nada restará de dúvidas com relação à legalidade das operações de seu cliente. O advogado disse que Cacciola não tem dinheiro nem para pagar os honorários. Dentro da PF, alguém brincou com Antônio Carlos: ‘‘Você vai aceitar cheque pré-datado?’’
Segundo o advogado, Cacciola teria realmente enviado dólares ao exterior, mas para ‘‘quitar posições na Bolsa de Chicago’’. Parte do dinheiro, disse o advogado, voltou ao Brasil para pagamento de dívidas de Cacciola. O banqueiro, disse o advogado, teve que aceitar um ‘‘deságio’’ para trazer parte do dinheiro de volta. ‘‘Não sobrou nada do dinheiro’’, disse o advogado.
Toda a operação de remessa de dinheiro para o exterior, disse o advogado, passou pelo BC, que tem condições de levantar a ‘‘legalidade’’. Antônio Carlos disse que não há nada de ilegal no procedimento de seu cliente, mas que cabe somente ao BC falar sobre a oportunidade deste tipo de operação, vendendo dólares aos bancos. Vender dólares ao Marka, disse o advogado, ‘‘foi uma solução de mercado’’, e ‘‘o BC considerou esta a melhor solução’’.
O depoimento de Cacciola na PF começou por volta de 14 horas e não tinha terminado até 19 horas. O advogado disse que seu cliente não seria indiciado após o depoimento, por nada haver de prova concreta de operação supostamente irregular.Dida Sampaio/Agência Estado(Não é permitida a reprodução total ou parcial desta foto dentro ou fora do Brasil)DurezaO banqueiro Cacciola, ao chegar para depor na PF em Brasília: não sobrou nada, segundo seu advogadoHugo Marques
Agência Estado

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