Cacciola promete falar o que sabe
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quarta-feira, 12 de maio de 1999
Isabel Clemente Agência Folha 
O banqueiro Salvatore Alberto Cacciola, que deporá hoje na CPI dos Bancos, promete responder a todas as questões que lhe forem apresentadas, segundo afirmou ontem no Rio de Janeiro seu advogado, José Carlos Fragoso. Cacciola mandou dizer que não se calará como o ex-presidente do Banco Central Francisco Lopes nem se recusará a assinar o termo da CPI de que não faltará com a verdade, de acordo com Fragoso.
O Banco Marka, de Cacciola, é um dos incluídos na investigação do suposto esquema de vazamento de informação privilegiada do Banco Central. Na condição de indiciado ou testemunha, Cacciola vai falar tudo o que perguntarem, disse o advogado. Ele só não adiantou se seu cliente tem informações sobre quem do governo teria envolvimento com a ajuda ao seu banco.
O advogado minimizou a importância dos documentos apreendidos pela Justiça do Rio na casa de Cacciola. Não têm a menor importância. Fragoso havia entrado com uma petição para tentar mostrar à juíza Ana Paula Vieira de Carvalho, da 6ª Vara Federal, que houve irregularidades no processo de investigação do Ministério Público.
EverardoO secretário da Receita Federal, Everardo Maciel, disse ontem que irá depor no dia 20 à CPI dos Bancos para explicar os mecanismos que podem facilitar a sonegação fiscal. Os senadores também convocaram o presidente do Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais, Nelson Pessuto, para tratar do mesmo assunto.
Everardo explicou que alguns mecanismos na legislação facilitam o envio de dinheiro para o exterior. É o caso, por exemplo, de uma regra que está em vigor desde setembro, pela qual investimentos estrangeiros em fundos de renda fixa não pagam Imposto de Renda (IR). Essa isenção, segundo informou, vigorará até junho, nos termos da legislação.
O secretário da Receita Federal esclareceu ainda que as operações de empresas brasileiras em paraísos fiscais também são taxadas pela Receita. As empresas recolhem tributos sobre os resultados, tenham eles sido auferidos em território nacional ou no exterior. Incluem-se aí os paraísos, infernos e purgatórios fiscais, brincou.
O inquérito que apura a suposta rede de informações privilegiadas do BC, da qual os bancos Marka e FonteCindam fariam parte, não tem data para chegar ao Rio. As investigações da Polícia Federal de Brasília e do Rio de Janeiro serão unificadas, mas todas as previsões para a chegada do inquérito até agora falharam.


