Cacciola pede habeas-corpus no TRF
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quinta-feira, 08 de junho de 2000
Wilson Tosta Agência Estado De Brasília 
Os advogados do ex-dono do Banco Marka, Salvatore Cacciola, José Carlos Fragoso, e do economista Luís Augusto Bragança, João Carlos Castelar, entraram ontem à tarde, no Tribunal Regional Federal (TRF) do Rio, com pedidos de habeas-corpus, requerendo a libertação imediata dos clientes. Consideramos a prisão absolutamente ilegal, disse Fragoso, sobre o ex-banqueiro. As razões alegadas não têm nenhuma sustentação.
De acordo com Fragoso, Cacciola foi várias vezes à Europa e voltou ao Brasil, o que comprovaria não haver perigo de que fugiria do País uma das razões alegadas pelo magistrado para ordenar a prisão. O sujeito está solto, mais de um ano e meio após a quebra do banco (Marka); não ameaça a ordem pública, declarou.
Fragoso afirmou que os grampos em linhas telefônicas usadas pelo ex-banqueiro, feitos pela Polícia Federal (PF), com a autorização da Justiça, são ilegais. Segundo ele, a Lei 9296 determina que a escuta só pode ser feita por 15 dias, prorrogáveis por mais 15, mas, no caso de um celular do cliente dele, a interceptação começou em 17 de dezembro e continua até hoje.
O juiz (Abel Gomes, da 6ª Vara Federal, que determinou a prisão de Cacciola) usa a lei de forma ilegal, acusou. Fragoso afirmou que a escuta, ao contrário do que disse o juiz no despacho, não conseguiu detectar, nas conversas de Cacciola, nada que comprometesse a ele ou a terceiros. Fragoso adiantou, porém, que contestará na Justiça a validade das gravações como prova.
É uma violação da intimidade das pessoas o Estado intrometendo-se, afirmou. Até o início da noite, a desembargadora federal Maria Helena Cisne Cid, que recebeu as duas ações, não tinha tomado decisões.
Para devolver aos cofres públicos US$ 1,57 bilhão de prejuízo resultante da operação de socorro do Banco Central (BC) aos bancos Marka e Fonte Cindam será necessário o rastreamento dos bens dos beneficiados no Exterior, segundo avaliação do Ministério Público Federal. O patrimônio das 13 pessoas não vai ser suficiente para cobrir, afirmou o procurador da República Bruno Caiado, refererindo-se aos 13 denunciados que tiveram o sequestro dos seus bens pedidos à Justiça Federal.
A Justiça enviou cartas rogatórias ao Uruguai, Estados Unidos e Bahamas, para pedir informações sobre bens que os envolvidos possuem nestes países. O procurador Bruno Caiado, no entanto, acredita que será complicado obter informações sobre estas contas, e outras movimentações financeiras feitas fora do Brasil pelos beneficiados pela operação do BC. A globalização, infelizmente, só existe na economia, lamentou. Na hora da investigação, ela não chega.
Caiado e o procurador Artur Gueiros também estudam pedir o sequestro dos bens da Bolsa de Mercadorias e de Futuros (BM&F), porque a instituição teria participado da farsa montada para justificar o socorro do BC aos dois bancos. O Ministério Público também pediu o sequestro de bens de laranjas que agiam em nome de Francisco Lopes, Salvatore Cacciola e outros denunciados. A procuradora Raquel Branquinho informou que outros inquéritos serão abertos a partir das investigações do Marka.


