A Polícia Federal (PF) não conseguiu cumprir ontem o novo mandado de prisão do banqueiro Salvatore Cacciola e investiga a possibilidade de o dono do banco Marka ter viajado para o exterior. ‘‘Ele agora é considerado um foragido’’, disse o delegado Cláudio Nogueira, da Divisão de Combate ao Crime Organizado e Inquéritos Especiais da Polícia Federal (DCOIE). Para o delegado, o banqueiro pode ter saído do País em avião particular, já que seu nome não consta da lista de passageiros de vôos comerciais. A PF também está atrás do juiz foragido Nicolau dos Santos Neto, acusado de envolvimento no desvio de R$ 169,5 milhões da obra superfaturada do Fórum Trabalhista de São Paulo.
Cacciola, acusado de peculato e gestão fraudulenta no processo sobre a operação de socorro do Banco Central ao Marka, em janeiro do ano passado, passou 37 dias em prisão preventiva. Ele foi libertado por liminar concedida sexta-feira passada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Marco Aurélio de Mello. A liminar foi revogada na noite de anteontem, proposta pelo procurador-geral da República, Geraldo Brindeiro.
Os procuradores da República que investigam o caso Marka – que deu à União prejuízo de R$ 1,6 bilhão – estão preocupados com a possibilidade de Cacciola chegar à Itália, pois o ex-banqueiro possui dupla cidadania e o Brasil não tem tratado de extradição com o país. A dupla cidadania foi um dos motivos que levaram os procuradores a pedir a prisão preventiva do banqueiro, em 7 de junho.
O delegado Cláudio Nogueira, que desde a noite de quarta-feira comanda a operação de busca, disse que já esperava não encontrar Cacciola em seu apartamento no condomínio Golden Green, na Barra da Tijuca (zona sul do Rio).
Vizinhos informaram que Cacciola foi visto pela última vez na madrugada de sábado, logo depois de ser libertado. Cinco agentes federais chegaram no condomínio ontem, por volta das 19 horas. Eles foram informados pela mulher de Cacciola, Adriana, que ele não estava em casa.
Como não podiam entrar no apartamento do banqueiro – a Constituição garante a inviolabilidade do domicílio durante a noite – os policiais limitaram-se a revistar os carros que saíam. O delegado chegou ao condomínio às 20h30 de quarta-feira. Ele foi recebido por Adriana, que confirmou a ausência do marido e disse desconhecer seu paradeiro. ‘‘Deixamos bem claro que, caso ele estivesse disposto a se entregar, nós estaríamos dispostos a não constrangê-lo, mas parece que essa não é a intenção dele’’, declarou Nogueira.
Segundo vizinhos e porteiros, o bloco ‘‘Singing Hills’’, do condomínio Golden Green, já ganhou o apelido de Bangu 4, em referência ao complexo penitenciário da zona oeste do Rio. No bloco mora, além de Cacciola, o empresário Jair Coelho, acusado de fraudes em licitações públicas do Estado do Rio.
Nogueira disse que Cacciola pode ter tido tempo para se esconder porque a notícia da revogação da libertação do banqueiro foi divulgada publicamente antes de a Polícia Federal ser informada. ‘‘O vazamento da notícia em Brasília abriu espaço para a fuga’’, afirmou o delegado.
Para o procurador Artur Gueiros, os advogados de Cacciola estavam monitorando o andamento do processo em Brasília e podem ter tido acesso à informação. O procurador lembrou que a liminar concedida pelo ministro Marco Aurélio de Mello ‘‘não restringia os movimentos do acusado’’, deixando Cacciola livre para viajar.
Um dos advogados de Cacciola, Rodrigo Fragoso, esteve na sede da Polícia Federal no Rio, mas não deu entrevista. Os advogados José Carlos Fragoso e Antônio Carlos de Almeida Castro, encarregados da defesa do banqueiro no processo do Marka, foram procurados pela reportagem, mas não foram encontrados. Castro teria viajado para o exterior, segundo sua secretária.

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