Os senadores da CPI dos Bancos decidiram ontem suspender as reuniões formais no restante desta semana para estudarem os documentos apreendidos e se prepararem para o depoimento do presidente do Banco Central Francisco Lopes, marcado para segunda-feira. ‘‘Numa CPI dessa complexidade, ganhar tempo para estudar os documentos e todas as informações que chegam é fundamental’’, argumentou o presidente do PMDB e autor do requerimento de criação da CPI dos Bancos, senador Jáder Barbalho (PA).
Barbalho foi um dos que defenderam o adiamento da inquirição de Lopes, alegando que os senadores poderiam tomar ‘‘um banho’’ se não estivessem com muita munição. Jáder Barbalho já não descarta a convocação de outras autoridades do governo para explicar o envolvimento do BC na ajuda financeira a bancos. ‘‘Nem o Papa está isento de ser convocado.’’
O banqueiro Salvatore Alberto Cacciola, ex-controlador do Banco Marka, depôs ontem à comissão de sindicância do BC. Após oito horas de testemunho, Cacciola fez uma breve declaração à imprensa. Primeiro, desculpou-se por não responder a nenhuma pergunta, alegando respeito à CPI e aos senadores, que ainda não tomaram o seu depoimento. E agradeceu ao Banco Central, por ter-lhe dado ‘‘a chance de dizer toda a verdade e a realidade dos fatos’’.
‘‘Graças a Deus, pela primeira vez depois de três meses sendo massacrado por todos, inclusive pela imprensa, eu tive a oportunidade e a chance de poder me expressar com tranquilidade, durante oito horas com a comissão do BC’’, disse Cacciola. ‘‘Pelo menos me deram a chance de dizer toda a verdade.’’
Cacciola deixou o BC acompanhado de seus advogados e não deu nenhuma explicação sobre as denúncias envolvendo o Banco Marka. (Colaboraram Vânia Cristino e Nélia Marquez).

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