Cabral: A CPI é irreversível
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sexta-feira, 21 de fevereiro de 1997
Agência Estado 
Agência EstadoO presidente da CPI, senador Bernardo Cabral: com o fio da meadaBRASÍLIA - O presidente do Senado, Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA), rejeitou ontem a proposta feita por integrantes da comissão parlamentar de inquérito que investiga irregularidades nos títulos públicos de estender as apurações a algumas atividades do sistema financeiro. Ele disse que dará o apoio necessário aos trabalhos da CPI, mas é contra qualquer medida que possa provocar insegurança na economia do País.
Para o senador, é leviano antecipar a possibilidade de investigar todo o sistema financeiro. Segundo ele, os resultados da apuração é que dirão até que ponto o trabalho deve avançar. Na avaliação do senador, a CPI cumpre com uma das atividades do Poder Legislativo que é a de fiscalizar irregularidades com o uso de dinheiro público.
Indagado sobre a oportunidade de colocar o Banco Central sob investigação, o senador respondeu que isso já está ocorrendo. O fato se dá, na sua opinião, pelas investigações da própria CPI que obrigam as autoridades daquela instituição a prestar esclarecimento sobre fatos considerados suspeitos.
O presidente da CPI dos Precatórios, Bernardo Cabral (PFL-AM), declarou que o objetivo da comissão não é levar à quebra do sistema financeiro e nem acabar com o Banco Central (BC). Segundo ele, a CPI já tem o fio da meada do esquema de corrupção e enriquecimento ilícito que atua no sistema financeiro e está lutando para acabar com isso.
As investigações, ainda segundo o senador, já deram ao Banco Central elementos para que seja feita intervenção nas instituições envolvidas, permitindo que os funcionários do banco entrem nas empresas e tornem indisponíveis os bens dos envolvidos. Cabral disse que a CPI é irreversível e que, após a conclusão de seus trabalhos, serão adotadas medidas que darão ao BC condições de fiscalizar, de forma segura e eficiente, o sistema financeiro. Ele informou que governadores e prefeitos eleitos, citados nos depoimentos da CPI, só serão ouvidos no final dos trabalhos da comissão, para que ela não seja transformada em palco político.
Na segunda-feira, os membros da comissão se reunirão para discutir com o relator, Roberto Requião (PMDB-PR), e o sub-relator, Vilson Kleinubing (PFL-SC), os dados obtidos ontem no encontro dos dois senadores com fiscais do BC, em São Paulo. Na quarta-feira, a CPI tomará mais cinco depoimentos.


