Cabos eleitorais se enfrentam a tapas no Calçadão
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sábado, 23 de outubro de 2004
Janaina Garcia<br>Reportagem Local 
A agressão verbal que marcou a disputa entre cabos eleitorais na última quinta-feira progrediu ontem de manhã para uma briga de tapas e pontapés no Calçadão da Avenida Paraná (Área Central de Londrina). A confusão ganhou corpo por volta do meio-dia, quando pessoas a favor do prefeito Nedson Micheleti (PT), vindas no sentido Coreto Avenida São Paulo, se encontraram com as de Antonio Belinati (PSL), paradas em frente ao Banco Itaú.
Pessoas identificadas com o número de campanha do ex-prefeito tentaram impedir a passagem do carro de som do adversário, o que gerou o bate-boca acompanhado de perto por policiais militares (PMs), que não chegaram a intervir. Algumas pessoas acabaram se agredindo e foram apartadas em seguida por conhecidos. Após uma negociação verbal entre supostos líderes dos dois grupos, o veículo abriu passagem e cerca de 20 PMs isolaram as duas partes com um cordão humano.
Apesar de acentuada somente no final da manhã, a movimentação teve início já às 9 horas, no Coreto. Foi lá que um grupo de alunos de universidades públicas e particulares se reuniu para protestar contra ''a corrupção, a improbidade administrativa e outros crimes do cenário político''. Segundo o aluno de Teologia Silas Rocha, 22 anos, a ação tentou alertar o londrinense para o ''maniqueísmo'' da eleição em Londrina, que ''desvia o foco da discussão de problemas mais sérios'', analisou.
Já em frente ao Banco do Brasil, um grupo de pelo menos 20 estudantes e profissionais liberais de uma comunidade na Internet chamada ''Belinati Não'' realizou um ato-relâmpago contra o candidato do PSL. Também com placas e narizes de palhaço, eles protestaram para o que chamam de não alheiamento às ações a que Belinati responde na Justiça. ''É importante se mobilizar e provar que o eleitor não é feito só de massa de manobra'', defendeu a universitária Denise Somera, 21.
O encontro no local culminou com a chegada do presidente nacional do PT, José Genoino, que discursou junto com Nedson e o chefe da sigla no Estado, deputado André Vargas. O prefeito e Vargas se ativeram a uma pesquisa que o aponta na liderança da intenção de voto, enquanto Genoino e o chefe de gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Gilberto Carvalho, disseram outras palavras de apoio ao petista. ''Os adversários estão perdendo a cabeça, mas nós temos que ficar calmos'', aconselhou Genoino.
Coordenador de campanha e vice de Belinati, o vereador Carlos Bordin (PP) sugeriu que as manifestações pudessem ter sido influenciadas por terceiros. Quanto à briga, ele frisou que as pessoas do Calçadão podiam não ser cabos eleitorais do ex-prefeito, apesar das identificações nas roupas e no material de campanha. ''Pode ter muita gente só para tumultuar; nós pedimos à nossa que não se meta em confusão'', ponderou. Quanto à declaração de Genoino, Bordin foi taxativo: ''Desesperado está o PT, que trouxe o presidente, o governador (Roberto Requião) e ministros em campanha a Londrina''.


