Cabos eleitorais invadem ruas na reta final
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sábado, 23 de setembro de 2000
Luciana Pombo De Curitiba e Maranúbia Barbosa De Londrina 
O penúltimo sábado de campanha eleitoral nas ruas de Curitiba teve comícios, carreatas, passeatas e panfletagem. Em Londrina, a uma semana das eleições, um pelotão de cabos eleitorais invadiu o Calçadão para distribuir santinhos e pedir votos, enquanto os cinco candidatos a prefeito cumpriam uma maratona de compromissos.
Na capital, a campanha do prefeito e candidato à reeleição Cassio Taniguchi (PFL) começou a concentração às 8h30, no Tribunal de Júri, para uma carreata. Segundo os organizadores, cerca de mil veículos participaram. Vai ser primeiríssimo turno, propagandeou o prefeito.
Outra carreata foi feita pelo candidato peemedebista Maurício Requião. De acordo com Márcia Requião, dirigente do PMDB Mulher, participaram cerca de 500 carros. O roteiro foi pela região central da cidade.
Na Boca Maldita, Centro de Curitiba, a movimentação de candidatos foi intensa durante todo o dia. Trinta e oito barraquinhas foram montadas em toda a extensão do Calçadão. Para atravessar de um lado para outro da Rua XV, o eleitor demorava em média 25 minutos e recebia entre 15 e 25 panfletos. Quantidade a gente recebe muito. Falta qualidade, destacou o funcionário público Wilson Miranda, de 53 anos.
O candidato tucano à prefeitura, Luiz Forte Netto, realizou uma passeata na Boca Maldita. Estamos na reta final e vamos chegar ao segundo turno, disse, confiante. Do outro lado da Rua XV, subia numa intensa campanha corpo-a-corpo o candidato do PT, Ângelo Vanhoni (PT). Estou muito confiante no segundo turno, declarou.
No Calçadão de Londrina, cabos eleitorais agitavam bandeirolas e cartazes ontem de manhã, enquanto os candidatos cumpriam um roteiro que variou de visitas à participação em debates.
Os pedestres londrinenses que passavam pelo centro da cidade eram abordados pela propaganda visual e ruidosa. Alguns, assim que recebiam os santinhos, amassavam sem ler e procuravam a lixeira mais próxima. Contudo, o destino dos papéis era mesmo o chão.
A diarista Arminda Pereira Marques, 56 anos, recebe um salário mínimo para trabalhar na campanha e reconhece que quase ninguém olha os santinhos. Indignada com a sujeira e a insistência dos cabos eleitorais, a dona de casa Tatiane de Quadros Jatski, 33 anos, garantiu que não pega santinho.
Inconformado com a parafernália, o marceneiro Décio Tóffolo, 57 anos, assegurou que está para nascer o candidato que me faça votar. Tóffolo questionou a origem do dinheiro da propaganda: Dizem que cada santinho chega a custar três centavos. Dinheiro que vai literalmente para o lixo. A vendedora Luciana Xavier também não concorda com a invasão do centro da cidade e disse que os cabos eleitorais espantam os clientes.
Os pedestres também receberam cartilhas com informações sobre a importância do voto, distribuídas pelo Centro de Direitos Humanos de Londrina e por acadêmicos de Direito da Universidade Estadual de Londrina.


