Cabos eleitorais cobram pagamento de Martinez e Luiz Accorsi
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quarta-feira, 20 de novembro de 2002
Luciana Pombo<BR>Equipe da Folha 
Curitiba - Um grupo de prestadores de serviços que trabalhou durante a campanha eleitoral de 6 de outubro está acusando os deputados estadual Luiz Accorsi (PTB) e federal José Carlos Martinez (PTB) de calote. O grupo fez ontem pela manhã um protesto em frente à rede de televisão CNT, de propriedade de Martinez, e cobraram dos dois deputados reeleitos o pagamento de despesas extras, que vão desde gastos com restaurantes e combustível até o pagamento de panificadoras e pintores.
O motorista Antonio Donizete Albergani, 45 anos, trabalhou um mês e meio na campanha dos candidatos. Ele diz ter pego notas de despesas com socorro a pessoas necessitadas, gasolina e restaurante. No entanto, alega não ter sido ressarcido. ''Eles ficaram me devendo mais de R$ 860,00'', reclamou.
Outros 80 funcionários da campanha também teriam ficado sem receber o prometido. A estimativa é que a dívida de Martinez e Accorsi gire entre R$ 20 e R$ 30 mil. Os coordenadores financeiros da campanha de Martinez alegaram ontem que todas as dívidas de campanha foram devidamente pagas. Os recursos teriam sido encaminhados para os comitês sob a coordenação de Accorsi. No entanto, não foi apresentada qualquer nota ou recibo que comprovasse o repasse dos valores.
Uma nova reunião ficou marcada para hoje, depois que Marcos Tulio, um dos coordenadores de um dos comitês de Accorsi e Martinez, solicitou formalmente a comprovação do repasse dos recursos. ''Quero saber o nome de quem recebeu o valor e não repassou para os funcionários de campanha. Se houve desvio efetivamente, este é um caso de polícia'', analisou.
Accorsi disse ontem que nunca se envolveu com os problemas financeiros da campanha. Ele mesmo não teria recebido qualquer recurso da campanha de Martinez. O coordenador financeiro da campanha teria sido Fernando Guedes, secretário municipal de Esporte e Lazer de Curitiba. Procurado pela reportagem da Folha, Guedes disse que a coordenação financeira oficial da campanha foi do próprio Accorsi. Ele diz ter colaborado na organização por causa da experiência que tinha junto à assessoria de Accorsi. ''Não me interei dos fatos. Vamos verificar o que existe realmente. Eu era conselheiro para questões do Interior. Terei que ver a situação, conversar com os coordenadores do comitê e verificar se estes funcionários têm mesmo algum direito'', comentou Guedes.


