Cabo eleitoral é acusado de compra de votos
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 29 de setembro de 2006
Luciana Pombo<br> Equipe da Folha 
Curitiba - O empresário Mário Borges, proprietário do Hotel e Lanchonete Recanto dos Pinheirais, vai responder por crime eleitoral por estar distribuindo panfletos e angariando eleitores para um candidato a deputado estadual (o nome do candidato está sendo mantido sob sigilo), prometendo auxílio ''no que precisar''. No escritório dele, foi cumprido um mandado de busca e apreensão na cidade de Turvo (54 quilômetros ao norte de Guarapuava) a pedido da promotora de Justiça Heloíse Kunyoschi Casagrande -que recebeu a denúncia de eleitores que estariam sendo procurados para ''vender'' o voto.
A Polícia Federal (PF) de Guarapuava foi acionada e cumpriu o mandado de busca e apreensão na manhã de ontem. No hotel, foram apreendidos diversos documentos e material de campanha. Segundo a assessoria de imprensa da PF, o cabo eleitoral distribuía ''santinhos'' nos quais expressamente constava a promessa de dádiva ou vantagem em troca de votos, o que configuraria o crime previsto no artigo 299 do Código Eleitoral, que prevê pena de até quatro anos de reclusão. Também foram apreendidos cadernos com anotações de nomes de eleitores, títulos eleitorais e valores recebidos como doação de campanha.
Borges foi procurado ontem pela Folha. Ele não estava no hotel. Uma atendente pegou os telefones da reportagem, mas não retornou as ligações.
Em Ibema (50 quilômetros ao sul de Cascavel), a PF fez busca e apreensão em um posto de combustíveis e em uma loja de móveis usados que funcionava como comitê eleitoral de dois candidatos às eleições deste ano (um do PMDB e outro do PFL). Nos locais foram apreendidos vales-combustível e notas fiscais em nome de um vereador do município com a identificação de automóveis que abasteceram gratuitamente no posto. Segundo o promotor Rodrigo Leite Ferreira Cabral, a denúncia era de que essas pessoas relacionadas poderiam abastecer de graça no posto, em troca do voto naqueles candidatos.
A busca e apreensão foi feita após uma investigação realizada pela Polícia Federal de Cascavel, a pedido do Ministério Público. A PF e o MP também ouviram testemunhas que confirmaram a suspeita de compra de votos através de combustível.


