Na avaliação da senadora Gleisi Hoffmann (PT), pré-candidata ao governo do Paraná, a polêmica envolvendo o deputado federal André Vargas (PT), que viajou em férias num avião pago pelo doleiro Alberto Youssef, não deve trazer prejuízos à imagem do partido no Estado, no ano eleitoral. Em entrevista exclusiva à FOLHA ontem, durante visita à ExpoLondrina, ela afirmou que o episódio deve ser esclarecido pelo próprio parlamentar paranaense. Gleisi confirmou, no entanto, que Vargas se afastou do núcleo principal da pré-campanha.
"Na vida política, e na vida de maneira geral, cada um responde pelos próprios atos. O deputado já falou sobre esse tema. Eu não acredito que a conduta de uma pessoa possa interferir num conjunto", afirmou Gleisi. Desde que a Folha de S.P. publicou reportagem sobre as mensagens via celular entre Vargas e o doleiro, preso em Curitiba, o deputado tem evitado os eventos públicos e deixou a cúpula da pré-campanha estadual. Sobre o afastamento dele da linha de frente do partido nos últimos dias, a senadora disse que foi decisão do próprio deputado. "Em função dessa situação ele se retirou um pouco até do mandato dele para explicar, o que é natural numa situação como essa. Foi uma retirada um pouco da vida pública para fazer essa reflexão."
Youssef, que já esteve preso em Londrina por acusação de lavagem de dinheiro desviado no escândalo AMA/Comurb, em 2000, também é investigado pela Polícia Federal (PF) por ligações com outros políticos. Questionada se essa proximidade com os gestores públicos não prejudica a imagem da política nacional, Gleisi evitou polemizar. "É claro que é uma situação ruim, porque me parece que é uma pessoa que tem negócios escusos, mas não é o meu papel julgar ninguém."
A senadora teve um encontro com o prefeito de Alexandre Kireeff (PSD) no Parque de Exposições Governador Ney Braga, ontem, durante a ExpoLondrina. Antes, ela havia participado de um encontro com mulheres empresárias num hotel da cidade.

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