O balanço anual da Caixa de Assistência, Aposentadoria e Pensões dos Servidores Municipais de Londrina (Caapsml) apontou deficit contábil de R$ 47.259.455,60, referente a movimentação de 2012. Significa que o volume de pagamentos, R$ 138,2 milhões, foi maior do que o arrecadado com as contribuições previdenciárias, que ficou em R$ 90,9 milhões. O valor confirmou a previsão feita pela atual administração, antes de assumir. Ao anunciar o seu secretariado, o prefeito Alexandre Kireeff (PSD) reconheceu que uma das suas maiores preocupações seria a manutenção da Caapsml, por meio de aportes financeiros para não prejudicar os servidores municipais aposentados e pensionistas que recebem pelo órgão. ''Em algum momento a prefeitura vai ter que fazer isso e deve ir se preparando'', sentenciou o superintendente da Caapsml, Denilson Novaes, em entrevista à FOLHA.
Novaes não soube precisar a data, mas estima que a reserva financeira da Caapsml seja suficiente para mantê-la em operação por, pelo menos, mais dois anos. Ele explicou que as contribuições menores que os pagamentos desenham um cenário desfavorável para o futuro da previdência municipal, porém, ressaltou que o caixa não está no vermelho e que o pagamento das aposentadorias e pensões está garantido. ''Temos reserva que vai manter a atividade sem a necessidade de aporte da prefeitura até 2014, talvez 2015, pelos nosso cálculos.'' O aporte citado pelo superintendente significa que a prefeitura vai retirar dos seus recursos um determinado valor para complementar o salário dos aposentados. ''Do jeito que está, se projetarmos mais 50 anos, o deficit será de R$ 1 bilhão.''
Ele explicou que o fundo previdenciário municipal já nasceu devendo. Isso porque a Caapsml existe há mais de 50 anos, mas com pequenas contribuições até 1992, quando foram regulamentadas as regras da Previdência Social, que especificou a forma de contribuição. A Caaspml teve que assumir as aposentadorias antes de começar a receber no formato atual. Hoje a contribuição recolhida à Caixa é de 11% na folha do servidor e de 17% na parte que compete ao município.
Quanto a dívida com a Receita Federal, que pode chegar a R$ 80 milhões por supostos erros na base de cálculos das contribuições de 2004 a 2011, Novaes afirmou que a pendência ainda está sendo discutida com os auditores federais. ''A Receita entende que houve repasse menor neste período, mas nós ainda estamos discutindo isso e o cálculo ainda não está fechado.''

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