Brasília - O protecionismo americano no setor do etanol estará na mesa de negociações entre os presidentes George W. Bush e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no próximo dia 9, quando se encontrarão em São Paulo para firmar um acordo de cooperação na área de biocombustíveis. O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, confirmou ontem que a tarifa de importação aplicada pelos Estados Unidos terá de ser reduzida, mesmo que em longo prazo, e que ambos os países deverão tratar do Haiti como um dos principais alvos de sua agenda de cooperação conjunta em terceiros países no setor de biocombustíveis.
Amorim, entretanto, descartou enfaticamente a possibilidade de o presidente Lula oferecer-se como intermediário na solução das divergências de Washington com países da América do Sul - sobretudo, com a Venezuela de Hugo Chávez, a Bolívia de Evo Morales e o Equador de Rafael Correa. Também assegurou que esse encontro não resultará em inflexão na prioridade da política externa do governo Lula às relações com a vizinhança e o restante do mundo em desenvolvimento.
Mas ressaltou que a ''criação de uma relação renovada'' entre Brasil e Estados Unidos reforçará a possibilidade de um bom relacionamento entre Washington e o conjunto da América do Sul e adiantou que toda a vantagem que o País venha a receber será compartilhada com a vizinhança.
''Não sei se o presidente Bush vem ao Brasil em busca de tranquilizantes. Ele vem em busca de cooperação em combustíveis'', declarou o chanceler, ao ser questionado se o presidente Lula daria algum sinal de maior tranquilidade sobre o panorama político e econômico da América do Sul a seu colega americano.
''Não somos intermediários de ninguém, não vamos falar em nome de ninguém. Mas vamos fazer com que essa relação entre Brasil e Estados Unidos torne-se útil para toda a América do Sul. Podemos contribuir para que (a relação EUA-América do Sul) se traduza em uma visão positiva de cooperação, e não no estilo antigo da intervenção.''
Amorim teve o cuidado de indicar, como tópicos da relação ''renovada'' de Brasília com Washington, a postura política do Brasil como Nação ''democrática, respeitadora da imprensa livre, com uma agenda social importante e uma política externa criticada por setores do País, mas respeitada inclusive nos Estados Unidos''. Ou seja, enumerou os tópicos não atendidos pelo modelo de ''democracia'' criado por Chávez na Venezuela. ''Essa postura de forte apoio a uma democracia de cunho social é o que temos a oferecer (a Bush) e é isso que pode ter influência positiva sobre a região'', afirmou.

mockup