Dorasan, Coréia do SulO presidente norte-americano George W. Bush, de visita à Coréia do Sul, afirmou ontem que o ‘‘despótico regime’’ norte-coreano deve modificar sua atividades, mas reiterou a oferta de diálogo, apesar do programa armamentista daquele país.
Depois de uma reunião centrada nas vendas de mísseis e armas de destruição maciça norte-coreanas, Bush e o presidente sul-coreano Kim Dae-Jung visitaram a zona desmilitarizada que divide a Península Coreana onde propôs o reinício das conversações.
O governo de Pyonogyang e os meios de comunicação ferreamente controlados guardaram silêncio sobre este encontro.
Os dois estadistas estenderam sua reunião a portas fechadas em Seul, evidenciando a importância que Bush dá à Coréia do Norte durante a viagem por três nações do continente asiático.
O presidente americano atacou, em reiteradas oportunidades, o líder norte-coreano Kim Jong-Il nas últimas semanas, afirmando que seu país fazia parte de ‘‘um eixo do mal’’, com o Irã e Iraque, baseado na proliferação das armas.
‘‘Não mudarei minha opinião sobre Kim Jong-Il até que ele liberte seu povo e aceite propostas genuínas (de paz) por parte de países como a Coréia do Sul’’, afirmou Bush durante uma coletiva de imprensa depois da cúpula. ‘‘Nós somos pessoas pacíficas. Não temos intenções de invadir a Coréia do Norte. A Coréia do Sul não tem intenções de invadir a Coréia do Norte’’, garantiu.
Enquanto as forças antidistúrbios lutavam com milhares de manifestantes anti-norte-americanos em Seul, Bush e Kim se dirigiram à zona desmilitarizada que faz as vezes de fronteira extra-oficial desde a guerra da Coréia (1950-53).
‘‘Esperamos um diálogo com o Norte apesar de nossa preocupação com seu regime’’, insistiu Bush, ao pronunciar um discurso em Dorasan, junto a uma linha da ferrovia que devia cruzar a fronteira, mas que a Coréia do Norte não quer concluir.
Quando assinalou suas dúvidas sobre um governo ao qual acusou de fazer parte do ‘‘eixo do mal’’, Bush também disse: ‘‘Não devemos permitir que os regimes mais perigosos do mundo nos ameacem com as armas mais perigosas do mundo’’.
Por sua parte, Kim Dae-Jung aproveitou a reunião e a visita a Dorasan para dirigir-se ao líder rival. ‘‘Espero seriamente que as autoridades norte-coreanas respondam em breve à nossa sincera proposta de diálogo’’, afirmou Kim em seu discurso, pronunciado na estação de trem. O presidente sul-coreano destacou que considera a Coréia do Sul um ‘‘aliado de sangue’’ dos Estados Unidos.

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