Washington O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, deu a impressão de preparar o país para uma nova etapa da guerra contra o terrorismo, e apontou principalmente três países – Irã, Iraque e Coréia do Norte – que acusou de tentar obter armas de destruição em massa. Em seu discurso de terça-feira à noite sobre o estado da União, Bush enfatizou a importância de levar até o fim a guerra contra o terrorismo declarada pelos Estados Unidos após os atentados de 11 de setembro.
‘‘O mundo civilizado está ameaçado por perigos sem precedentes’’, afirmou um Bush determinado, que alcançou uma popularidade inimaginável ao fim de seu primeiro ano à frente do governo. O presidente comprometeu-se a preparar os norte-americanos para enfrentar outros possíveis atentados, e afirmou que ‘‘a guerra contra o terrorismo está apenas no começo’’.
Para o professor especialista em política Larry Sabato, da Universidade de Virgínia, ‘‘foi um discurso muito belicoso’’.
Bush mencionou explicitamente Irã, Iraque e Coréia do Norte, e estimou que os regimes que governam esses países ‘‘procuram se abastecer de armas de destruição em massa, e representam um perigo cada vez mais grave (...) A Coréia do Norte possui um regime que se arma com mísseis e armas de destruição em massa. O Irã está decidido a se prover de armas e exporta o terrorismo, e o Iraque continua demonstrando sua hostilidade em relação aos Estados Unidos e apoio ao terrorismo. O regime iraquiano conspira há mais de 10 anos para desenvolver o bacilo do carbúnculo, gases de combate e armas nucleares’’, afirmou. Bush também mostrou determinação em ‘‘evitar que os regimes que apoiam o terrorismo ameaçem os Estados Unidos’’ ou seus amigos e aliados.
Ao comemorar os progressos da guerra no Afeganistão e a perseguição aos terroristas, o presidente recomendou aos norte-americanos que se mantenham vigilantes. ‘‘Milhares de assassinos perigosos, treinados para matar de todas as formas e frequentemente apoiados por regimes fora-da-lei, estão agora espalhados pelo mundo com bombas-relógio, prontas para explodir sem aviso prévio’’, disse.
‘‘Agora, quando a parte mais visível da nossa ação militar está no Afeganistão, os Estados Unidos atuam em outros lugares’’, continuou o presidente, citando o envio de tropas para as Filipinas e as patrulhas posicionadas em frente à Somália.
Bush reservou seus propósitos mais duros ao Iraque, país que é citado com frequência como próximo alvo da campanha antiterrorista. ‘‘É um regime que tem algo a esconder do mundo civilizado’’, disse. Segundo o professor Sabato, Bush ‘‘parece preparar a opinião pública para uma extensão da guerra’’.
O presidente aproveitou o discurso para anunciar ‘‘o maior aumento de créditos à Defesa em 20 anos (...) Qualquer que seja o preço a pagar para defender o nosso país, nós pagaremos’’, prometeu, lembrando que ‘‘a indiferença seria catastrófica’’.

mockup