Busca por panfletos gera confusão entre campanhas
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quinta-feira, 02 de outubro de 2014
Mariana Franco Ramos<br>Reportagem Local 
Curitiba - O cumprimento de dois mandados de busca e apreensão de materiais de campanha contrários aos candidatos ao governo do Paraná Gleisi Hoffmann (PT) e Roberto Requião (PMDB), em um barracão no bairro Portão, em Curitiba, mobilizou ontem diversas autoridades do Estado, incluindo forças de segurança, um oficial de justiça e o procurador regional eleitoral, Alessandro José Fernandes de Oliveira. No local, funciona um comitê do governador Beto Richa (PSDB), que concorre à reeleição, destinado à produção de placas, cavaletes e, eventualmente, panfletos.
O Tribunal Regional Eleitoral (TRE) confirmou apenas a apreensão de uma caixa de apócrifos que atacavam a senadora. A maioria continha fotos dela com o ex-assessor da Casa Civil Eduardo Gaievski, preso sob suspeita de estuprar adolescentes. O caso será analisado pelo juiz Lourival Pedro Chemim. Como os santinhos com críticas a Requião continham CNPJ, contudo, a princípio não foram considerados irregulares.
A confusão começou ainda pela manhã, quando um grupo liderado por Maurício Requião, irmão do peemedebista, e pelo deputado federal Dr. Rosinha (PT), coordenador da campanha de Dilma Rousseff (PT) no Paraná, entrou na propriedade, após receber uma denúncia de que ali estariam santinhos ilegais. "Chegando aqui, vimos saindo pela porta uma Kombi com jornais do Requião. A nossa sensação foi de que estavam tentando esvaziar o depósito. A porta estava aberta e nós entramos", disse Maurício. Ele contou que acionou a polícia e a Justiça Eleitoral, mas que não esperou as autoridades porque pretendia evitar a destruição de provas.
Com a chegada da Polícia Militar (PM) e do Comando de Operações Especiais (Cope) da Polícia Civil, houve discussão e tanto Maurício como o sobrinho de Requião, Thadeu de Mello e Silva, e o advogado Leônidas Chavez Filho teriam recebido voz de prisão Dr. Rosinha não, por possuir imunidade parlamentar. Maurício afirmou que a tenente revelou estar agindo "conforme orientação do secretário de Segurança", Leon Grupenmacher. O advogado de Gleisi, Gustavo Guedes, falou que, a princípio, o grupo seria levado ao 8º Distrito Policial, mas que, com a chegada do oficial e de um representante da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), houve um consenso de que não seria necessário. "Havia uma churrasqueira com muito material queimado. Deu para identificar que alguns deles eram proibidos e foram incinerados no meio de santinhos da coligação do Beto Richa".
Em nota, a Secretaria de Segurança Pública (Sesp) nega qualquer interferência direta de Grupenmacher na ocorrência e garante ter agido de forma "usual e preventiva". A pasta não fala em prisão, informando apenas que abriu uma investigação criminal contra o trio e mais quatro pessoas, sob a alegação de que houve invasão de propriedade particular. "Tão logo seja concluído o inquérito, o processo será remetido para a apreciação do Ministério Público e da Justiça".
Procurado pela FOLHA, o coordenador geral da campanha de Beto, Eduardo Sciarra (PSD), atribuiu o ocorrido a uma "armação" de petistas e peemedebistas, que estariam inconformados com os números desfavoráveis das pesquisas eleitorais. "Está claro que esse é mais um factoide na campanha". O parlamentar negou a existência de materiais apócrifos no comitê. "Eles mesmos levaram para lá uma quantidade que não cabe numa caixa e disseram que estaríamos queimando, na tentativa de produzir esse factoide".


