O PFL e o PSDB do Paraná estão unidos na busca por um ministério no segundo mandato do presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB). O acordo político foi selado na última sexta-feira, durante conversa entre o governador Jaime Lerner (PFL) e o senador Osmar Dias (PSDB), no Palácio Iguaçu. Lerner e Osmar deixam as diferenças de lado para, juntos, reivindicarem mais espaço para o Paraná junto ao governo federal. ‘‘A posição do governador é a mesma que a minha. Não podemos colocar um nome na frente, para não comprometermos as conversas sobre ministério’’, disse Osmar.
Ele assegurou que o acordo com Lerner é ‘‘de momento’’ e não implica alianças políticas futuras. ‘‘Estamos trabalhando juntos nesse caso, que é um projeto de interesse estadual. Não deixamos de ser adversários políticos. A conversa foi de senador para governador’’, ressalvou. Osmar Dias disse que não vê problemas em ter uma ‘‘convivência pacífica’’ com o grupo de Lerner, ‘‘mas isso não quer dizer que somos amigos’’. Osmar afirmou que a escolha de um ministro paranaense depende da organização dos partidos aliados locais. ‘‘O presidente não aceita pressões partidárias, mas a argumentação de um governador da base aliada tem peso’’, considerou o senador, que cobrou empenho de Lerner nas articulações.
O encontro entre Lerner e Osmar, deixando o PFL e o PSDB do Estado numa condição de aliados, deu-se graças à boa convivência das duas siglas durante a campanha eleitoral. Um acordo informal costurado por Brasília em julho deste ano evitou o confronto do PFL e do PSDB nas urnas. Os pefelistas abriram mão da disputa ao Senado, deixando caminho livre para a vitória do irmão de Osmar, o ex-governador Álvaro Dias (PSDB). E os tucanos renunciaram à disputa pelo governo, facilitando a reeleição de Lerner. A fórmula, negada pelos tucanos, ficou conhecida por ‘‘acordo branco’’.
Na conversa com o governador, Osmar defendeu ainda a federalização do Banestado. Integrante da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), que vai analisar o acordo de privatização firmado entre governo do Estado e Banco Central, Osmar afirmou que o sacrifício financeiro do Paraná seria menor. ‘‘O governo não precisaria dispor de tanto capital, como na privatização. Como é que vamos explicar para a sociedade uma dívida de R$ 4,1 bilhões (o necessário para o saneamento do Banco conforme cálculo da Secretaria da Fazenda), que terá de ser paga pelo Estado, se a venda do Banestado pode render cerca de R$ 400 milhões?’’, questionou o senador.

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