Busato critica a partidarização das eleições nas subseções da OAB
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sábado, 18 de novembro de 2006
Erica Shimamura<br>Reportagem Local 
Às vésperas das eleições da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), na subseção do Paraná, marcada para quarta-feira, dia 22, o presidente nacional da entidade, Roberto Busato, faz um alerta para a tendência de partidarização do pleito. ''Este ano estamos vendo um clima de partidarização das eleições da Ordem, não só no Paraná, como em outros lugares do país. A Ordem é uma entidade política, mas afastada completamente dos partidos, sob pena de perder a credibilidade perante a sociedade brasileira. Não podemos permitir que a Ordem se transforme em palanque, tanto da oposição quanto da situação'', alerta, ontem, em visita à FOLHA DE LONDRINA.
Para Busato, uma possível explicação para a tendência de partidarização neste pleito seria a junção das eleições nas seccionais, que acontecem a cada três anos, e as eleições gerais. Na Bahia, conta Busato, ''houve a necessidade de se dirigir ao Partido dos Trabalhadores, pedindo que o partido não se transformasse numa militância na eleição da Ordem''.
Segundo a assessoria, o presidente da OAB nacional percorreu cidades no interior do Paraná. Estavam agendadas visitas também a Maringá, Cianorte, Campo Mourão e Umuarama.
No Brasil, aproximadamente 500 mil advogados irão eleger seus representantes até o dia 30 deste mês por todo o país. No Paraná, são cerca de 28 mil advogados, sendo 2,8 mil em Londrina. No entanto, o estatuto da Ordem determina que apesar do voto ser obrigatório, somente o advogado que estiver com as mensalidades em dia poderá votar.
Busato apóia no Estado a chapa XI de Agosto, da situação. Outras duas chapas, a OAB Democrática e OAB de Verdade, ambas da oposição, estão concorrendo ao comando para o triênio 2007-2009 (veja texto nesta página). Nas últimas duas eleições paranaenses houve apenas um candidato. O presidente afirmou que a disputa é interessante e ''muito mais benéfica do que uma chapa única sendo homologada por falta de opção''.
O presidente nacional da OAB aponta ainda outro problema ocorrido em eleições passadas. De acordo com ele, campanhas milionárias, com veiculação de propagandas em TV em horário nobre e utilização de outdoors acabou acirrando demais a disputa. ''Em Pernambuco, por exemplo, as eleições passadas foram mais vistosas do que a campanha para governador do Estado. O alerta serviu para que se fizesse um novo provimento, disciplinando as eleições, tornando-as menos vistosas e com menor influência do poder econômico'', explica.
Pelo estatudo da Ordem, as eleições das seccionais têm de ser feitas na segunda quinzena do mês de novembro. Ontem aconteceram eleições em oito Estados (Alagoas, Amapá, Ceará, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Pará, Rondônia, Sergipe). Hoje, Minas Gerais, Paraíba e Piauí elegem novos diretores. Dia 30 as eleições acontecem em São Paulo e Tocantins.
Serão eleitos a nova diretoria das seccionais, conselheiros estaduais e federais, diretorias das subseções e diretoria da caixa de assistência. No dia 31 de janeiro, haverá eleições para escolher o novo presidente nacional, em Brasília, feita pelos conselheiros federais eleitos em novembro.


