Gustavo Porto e Braz Henrique
Agência Estado
Ribeirão Preto, SP - O advogado Rogério Tadeu Buratti, de 42 anos, ex-assessor do ministro Antonio Palocci quando este era prefeito de Ribeirão Preto (SP), confirmou em seu depoimento ontem ao Ministério Público que Palocci recebia, quando era prefeito, pagamento de R$ 50 mil por mês de empreiteiras que cuidavam do serviço de lixo na cidade. A informação foi passada à Agência Estado pelo promotor Sebastião Sérgio da Silveira. Buratti informou ainda que o dinheiro seria repassado ao diretório nacional do PT, nas mãos do então tesoureiro Delúbio Soares.
O intermediador do negócio, segundo relato do promotor, seria Ralf Barquete dos Santos, que, como Buratti, foi secretário de Palocci, mas morreu de câncer. De acordo com o promotor, o próprio ministro Palocci coordenou o acerto com o grupo Leão Leão sobre recebimento de propina (o promotor usou esta palavra) das empreiteiras do lixo. Após Palocci deixar o cargo de prefeito, em 8/12/2002, os pagamentos continuaram durante o governo de Gilberto Magggione, sucessor de Palocci na prefeitura.
A Leão Ambiental, empresa do grupo Leão Leão, é acusada de participar - ora como operadora ora como co-autora - de esquema de fraudes em licitações públicas em 16 cidades de São Paulo e Minas Gerais, incluindo Ribeirão Preto.
Buratti foi assessor parlamentar de José Dirceu na década de 80 e secretário de Governo de Palocci na sua primeira gestão como prefeito de Ribeirão. Em 94, saiu após uma denúncia de favorecimento. Desde sua saída da prefeitura, Buratti trabalhou cinco anos como consultor da empreiteira Leão Leão. Na segunda gestão, foi assessor de Palocci.
Anteontem Buratti aceitou acordo de delação premiada que prevê redução de penas caso seja condenado e suas declarações sirvam ao Ministério Público Federal. Ele foi preso quarta-feira, acusado de mandar destruir provas de negociações ilícitas de compra e venda de fazendas e de duas empresas de ônibus. Os negócios envolveriam R$ 2,6 milhões. O Ministério Público suspeita de lavagem de dinheiro e formação de quadrilha.
O promotor Silveira disse ainda que Buratti denunciou também o esquema de pagamento de propinas por parte de empreiteiras a políticos de outras cidades do Estado de São Paulo e Minas Gerais. De acordo com o promotor, depois de relatar o esquema em Ribeirão Preto, Buratti detalhou a ação das empreiteiras na cidade de Matão (SP). Nessa cidade, o pagamento de propinas, segundo as primeira informações de Buratti, teria sido feito durante a gestão do ex-prefeito e ex-deputado federal Jaime Gimenez (PMDB). Ao contrário de Ribeirão Preto, onde o valor acordado era de R$ 50 mil ao mês, nas outras cidades a propina variava de 5% a 15% do valor dos contratos.
''Em Ribeirão Preto, o valor era menor porque o contrato com as empreiteiras era muito apertado'', disse. O promotor não deixou claro se o esquema também ocorreu na cidade de São Paulo pelo fato de a licitação ter sido suspensa pela Justiça e por Buratti não fazer mais parte do grupo Leão Leão do qual foi vice-presidente até o ano passado. Ainda sobre o esquema de propinas em Ribeirão Preto, o promotor disse que os pagamentos eram feitos de forma semelhante ao esquema utilizado em Santo André com serviço de ônibus.
O promotor de Justiça Naul Felca disse que Buratti citou, em seu depoimento, vários nomes de políticos do PT que estariam envolvidos no esquema de corrupção entre empreiteiras e prefeituras paulistas ligado ao serviço de coleta de lixo. Felca não citou aos jornalistas os nomes apontados por Buratti. Segundo Felca, os promotores estão satisfeitos e Buratti está colaborando de ''maneira eficaz'' nas investigações.
De acordo com declarações de Buratti, transmitidas aos jornalistas pelo promotor, o dinheiro pago por empreiteiras mensalmente não era destinado ao financiamento de campanhas eleitorais. ''O pagamento era feito a pessoas e a prefeituras e o acerto era feito com prefeitos e funcionários públicos'', disse o promotor.

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