O maior desafio da equipe responsável pela formulação das metas do candidato Fernando Henrique Cardoso para um segundo mandato é propiciar, com um programa de idéias convincentes, soluções que permitam ao País sair do ‘‘buraco fiscal’’ em que se meteu nas últimas décadas e ao mesmo tempo crescer e gerar emprego. Esse desafio está estreitamente relacionado com a crise financeira mundial e a preocupação do presidente Fernando Henrique de dar continuidade às reformas de conteúdo fiscal assim que passar a eleição.
O presidente revela, em conversas com os amigos mais próximos, uma angústia em conviver com a inclusão do Brasil na lista dos países vulneráveis à instabilidade financeira internacional. Fernando Henrique está certo de que a culpa é do déficit público. Esta é a razão que deixa seus amigos convencidos de que a questão fiscal será tratada com total prioridade no governo da reeleição, se as urnas confirmarem as pesquisas eleitorais.
É essa angústia que também leva a equipe do programa de governo do candidato tucano a tratar o tema fiscal de forma tão nebulosa e esquivar-se até agora de esclarecer como será enfrentado o problema, a partir das eleições.
O coordenador do programa de governo, professor Carlos Américo Pacheco, reitera que o déficit previdenciário e os gastos com funcionalismo público, além da carga dos juros, são ‘‘questões preocupantes’’ e que a austeridade fiscal será perseguida ao lado dos ajustes no setor da Previdência e área tributária - por meio das reformas submetidas ao Congresso e de medidas no âmbito do Executivo.
Mas Pacheco ressalta que o controle fiscal já vem sendo feito neste governo. ‘‘Nos últimos quatro anos, gastou-se menos que foi arrecadado’’, insiste ele, sem tocar no vespeiro da questão fiscal - os estados e municípios.
A idéia do professor Pacheco e os outros formuladores do programa da reeleição é de que a política macroeconômica do governo tem de prosseguir como é hoje, porque o fundamental é manter a estabilidade da moeda. Isto significa permanecer inalterada a atual política de câmbio, como também a política monetária.
O programa de governo vai trazer a idéia de redução gradativa dos juros a médio prazo, porém a equipe que o elaborou adverte: ‘‘A política monetária permanecerá inalterada, mas a estabilidade será defendida acima de tudo.’’ Ou seja, não está descartada uma intervenção na economia para preservar a estabilidade da moeda.

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