CAMPO MOURÃO - A solenidade de posse do novo prefeito e dos novos vereadores de Campo Mourão foi montada em clima de festa. Os 524 lugares do Teatro Municipal foram quase todos preenchidos e, na véspera, houve até ensaio dos eleitos. Na hora de discursar, no entanto, o prefeito que saía, Rubens Bueno (PSDB), e o que entrava, Tauillo Tezelli (PSDB), choraram. Bueno foi às lágrimas primeiro e saiu aplaudido de pé quando terminou o discurso com um inaudível ‘‘Muito obrigado a Campo Mourão, nossa cidade cristalina’’.
O choro do ex-prefeito começou a ser anunciado antes dele chegar à metade das três página de seu discurso. Já com a voz embargada, Bueno teve que parar para enxugar os olhos. Prosseguiu com dificuldades e perdeu a voz no final. Tauillo, que foi às lágrimas durante a despedida de Bueno, também chorou. Ele se emocionou quando lembrou de sua infância e de seus pais. É a primeira vez que Campo Mourão tem um prefeito nascido na própria cidade.
‘‘Se sou o primeiro prefeito nascido aqui, eu não quero entrar para a história somente por causa disso’’, destacou Tauillo. ‘‘Quero fazer um grande trabalho, administrar esse município de modo que todos possam dizer posteriormente que fiz a minha parte’’. O prefeito assumiu um ‘‘compromisso sério’’ com a geração de emprego. ‘‘Durante a campanha (...) pudemos testemunhar o quanto tudo é difícil quando não há empregos, pois a própria cidadania deixa de existir e os problemas se multiplicam’’.
Bueno voltou a citar as dificuldades que encontrou quando assumiu a prefeitura, mas disse que está ‘‘plenamente realizado’’. Segundo ele, os 92,3% de aprovação dados em pesquisa feita pela Canadá. no mês passado, são como um boletim escolar. ‘‘Fomos aprovados’’. Na lista dos agradecimentos, destaque para os servidores públicos e para o presidente Fernando Henrique Cardoso e seus ministros.
A posse dos novos vereadores de Campo Mourão teve até vaias. Elas foram dadas ao vereador José Luiz Gurgel (PMDB), que ameaçou impugnar o resultado da eleição para a escolha da mesa diretora. Antes, Gurgel travou discussão com José Eugênio Maciel (PSDB) porque queria que a votação fosse abert. Perdeu e mostrou para todos os presentes que estava votando em branco. Para terminar, foi embora antes do fim da solenidade.
Outro que chamou a atenção foi o vereador Júlio Vieira dos Santos (PDT), eleito pela terceira vez. Primeiro, transformou num longo discurso de moralização aquilo que era para ser uma simples leitura de um trecho bíblico. Depois, voltou a discursar para responder às vaias. ‘‘Meus eleitores não uivam’’, atacou. Por fim, dormiu durante a votação para os cargos da Mesa.
Só depois de quase duas horas é que os titulares dos quatro cargos foram eleitos. O tucano Edson Battilani ficou com a presidência e João Alves (PMDB) com a vice. Maria Dolores Alves (PSDB) foi eleita primeira-secretária e Juvenal Vieira (PDT), ficou com a segunda-secretaria. Em nenhum dos cargos houve disputa. Os acordos chegaram a tal ponto que Alves, cassado na legislatura passada pelo PSDB, votou no candidato tucano.

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