Buarque pede bom senso à oposição
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quarta-feira, 22 de abril de 1998
Agência Estado 
Arquivo FolhaIncredulidadeJosé Genoíno, que demorou a acreditar: Foi um baque, um torpedoO governador do Distrito Federal, Cristovam Buarque (PT), pediu ontem aos políticos da oposição que tenham bom senso e juízo diante da fragilidade do governo com a perda de dois de seus principais articuladores políticos. A oposição deve entender que a perda não foi do governo, disse o governador. Quem perdeu foi o Brasil.
Segundo Cristovam, a oposição deve reconhecer que a morte de Luís Eduardo foi um choque muito grande, mas que não deve ser motivo para interromper as atividades do Congresso. O Brasil não pode ter o Congresso paralisado, defendeu. Cristovam admitiu que o ano eleitoral dificulta a realização de uma trégua entre governo e oposição, mas que isso não deve acentuar as divergências ideológicas. Para o governador, é importante a recuperação do presidente do Senado, Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), pai de Luís Eduardo, e o surgimento de um novo interlocutor no Congresso. A oposição deve manifestar a consciência de que foi uma perda assustadora e colaborar para que o governo encontre novos interlocutores, afirmou.
O deputado José Genoíno (PT-SP) comparou a morte de Luís Eduardo a do deputado Ulysses Guimarães. Ambos tinham relações saudável, plural e tranquila com os colegas. Nunca misturaram disputa e amizade. Genoíno disse que demorou a aceitar a notícia da morte do colega. Foi um baque, um torpedo, afirmou. Era um adversário que a gente respeitava e que, por sua vez, respeitava a oposição. Ele disse ser cedo para prever como o fato repercutirá nas votações do Legislativo. Já o deputado Gilney Viana (PT-MT) aposta na paralisação das reformas constitucionais.
Para o ex-governador do Distrito Federal José Aparecido, experiente político brasileiro, o presidente Fernando Henrique Cardoso precisa encontrar forças para superar o desfalque causado pela morte do ministro Sérgio Motta e do seu líder na Câmara. A vida continua, o País não pode parar, pregou. Ligado ao ex-presidente Itamar Franco, Aparecido ressaltou que Luís Eduardo era um nome importante para a renovação da vida política do País. Não temos no Brasil outras pessoas com 43 anos e a experiência política do deputado, reconheceu.
A morte do deputado reuniu, no Hospital Santa Lúcia, oposição, situação e adversários políticos. O líder do governo no Senado, José Roberto Arruda (PSDB-DF), ficou abraçado, emocionado, ao candidato do PT a vice-governador do Distrito Federal, Sigmaringa Seixas, seu atual adversário no Distrito Federal. Os governadores do Espírito Santo, Victor Buaiz (sem partido) e do Distrito Federal, Cristovam Buarque (PT), também estiveram no hospital. Independentemente de Estado, religião e partidos, estamos traumatizados com o que aconteceu no País nestes dias, afirmou Buarque.
O presidente do PMDB, Paes de Andrade, afirmou que, apesar de Luís Eduardo ser ideologicamente de centro, tinha um trânsito muito bom em todas as correntes. Era, além de um grande político, uma grande liderança, um homem de compromissos, disse Paes. O que ele se comprometia, ele fazia, acrescentou o presidente do PMDB, lembrando que Luís Eduardo foi o candidato de seu partido à presidência da Câmara, há dois anos. Tudo o que ele combinou com nosso partido, cumpriu.
O trânsito de Luís Eduardo em outros partidos, inclusive de esquerda, é confirmado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Nelson Jobim, que foi deputado junto com Luís Eduardo. Jobim lembrou que todas as quintas-feiras, ele, Luís Eduardo se reunia com outros parlamentares de esquerda para discutir a situação do País ou simplesmente conversar. Neste grupo estavam pessoas de diferentes ideologias, como José Genoíno, do PT e Miro Teixeira, do PDT, recorda Jobim.


