Curitiba - O candidato a Presidência da República pelo PDT, senador Cristovam Buarque, disse que teve uma surpresa grande ao saber que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva lidera as pesquisas de intenção de voto. ''Por que o povo todo está enojado com a política, descontente com a realidade e vai votar nos mesmos?'', questionou.
''Eu acho que esse é um fenômeno muito esquisito e que o coração não casa com o dedo. O coração diz uma coisa e o dedo quer apertar os botõezinhos diferentes (da urna). O povo está enojado com a corrupção, mas quer apertar o número da corrupção. O PDT não tem um sanguessuga, um mensaleiro e nas pesquisas aparece com 2%'', disse.
Apesar dos índices baixos nas pesquisas eleitorais ele diz não desanimar. ''Não estou em uma eleição. Estou em uma guerra'', afirmou. Buarque disse que pretende convencer as pessoas de serem contra a corrente dos dois candidatos que aparecem na liderança das pesquisas.
Ele destacou ainda que fala-se muito da criminalidade nas ruas, mas as pessoas esquecem que ''a criminalidade que existe na hora de elaborar o orçamento da União''. Segundo ele, os políticos estão ''saqueando o País''. ''Precisamos enfrentar a guerra que existe à nossa frente que é construir o Brasil'', declarou.
Buarque também deixou claro o apoio ao candidato Osmar Dias (PDT). ''O meu projeto para o Paraná é eleger Osmar Dias. Vamos ter uma relação dentro do mesmo partido e com programas muito parecidos'', disse.
O candidato à Presidência, que também já foi ministro da Educação do governo Lula, disse que durante o período que ocupou o cargo começou todas as reformas na educação que hoje defende. ''As reformas que eu podia fazer com os recursos do ministério eu comecei como o programa de erradicação do analfabetismo, a implantação do horário integral nas escolas em 29 cidades e o início da federalização da educação com o Programa de Certificação Federal do Professor. As reformas que eu não poderia fazer com o ministério, elaborei projetos de lei e mandei para o presidente'', disse.
Ele acredita que são necessários 15 anos para completar a implantação de todas as metas para a educação. Segundo ele, a meta era tirar do analfabetismo 3 milhões de pessoas no primeiro ano e ele conseguiu colocar 3,2 milhões de brasileiros em sala de aula.
''Eu comecei tudo (reformas na educação). Mas, não se faz em 12 meses a revolução educacional. O ministro (da educação) anterior ficou oito anos. O que a gente lembra de revolução na educação nos oito anos do governo Fernando Henrique Cardoso'', disse.
Buarque ainda defendeu uma revolução na educação que seria realizada com a federalização da educação básica no Brasil. Segundo ele, estar um aluno estar matriculado não quer dizer quase nada, o importante é concluir o ensino médio com qualidade. Ele também disse que é favorável ao ensino fundamental de nove anos e acredita que isso só será possível com a federalização.
O candidato do PDT a presidente esteve ontem em Curitiba. De manhã participou de um café da manhã com empresários do setor de educação e com esportistas. Em seguida almoçou com o candidato ao Governo do Estado, Osmar Dias (PDT) no Paraná Clube e realizou carreata pelas ruas da Capital.

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