Arquivo FolhaCristóvam Buarque: ‘‘Esse senhor não tem autoridade
para se imiscuir em uma questão interna do Brasil’’O governador do Distrito Federal, Cristóvam Buarque (PT), criticou ontem a postura do governo de Fernando Henrique Cardoso em face das recentes declarações do presidente argentino, Carlos Menem. Em entrevista publicada sábado em diversos jornais, Menem declarou que, caso Luiz Inácio Lula da Silva seja eleito presidente do Brasil, ‘‘desaparecerá o Mercosul’’. ‘‘O que me preocupa é não ver nenhum protesto do governo brasileiro diante dessa interferência na soberania nacional’’, reclamou Buarque, que esteve ontem no Rio para acompanhar o enterro do arquiteto Lúcio Costa.
‘‘Espero que o presidente e o Itamaraty se pronunciem contra esse senhor, que não tem autoridade para se imiscuir em uma questão interna do Brasil; fico indignado de não ver nenhum protesto’’, afirmou o governador do Distrito Federal. ‘‘O Fernando Henrique jamais daria palpite em uma eleição democrática na Argentina.
Buarque comparou a atitude do governo argentino à posição adotada pelos Estados Unidos no passado. ‘‘Isso era típico dos Estados Unidos, que interferiam com arrogância na política externa de outros países’’, lembrou. ‘‘Mas nem eles fazem mais isso.
O embaixador da Argentina no Brasil, Jorge Hugo Herrera, tratou de explicar as declarações de Menem. Em entrevista publicada ontem ele garantiu que o presidente só criticou Lula porque teria acreditado em uma matéria do jornal argentino La Nación, segundo a qual o candidato do PT defenderia uma maxidesvalorização do Real. ‘‘O PT negou estar contra o Mercosul e defender uma maxidesvalorização do Real; o problema é que não houve tempo de avisar o presidente’’, declarou o embaixador a um jornal carioca. ‘‘De qualquer forma, caso as declarações de Lula tivessem ocorrido, Menem estaria certo em suas críticas.
As críticas de Menem ao candidato petista foram feitas na noite de sexta-feira, em um seminário sobre políticas macroeconômicas no Mercosul realizado na capital argentina. ‘‘O programa econômico de Lula inclui a maxidesvalorização do real, o que poderia provocar virtualmente o fim do Mercosul e arrastar os países-sócios ao descalabro financeiro’’, afirmou em seu discurso. ‘‘Deus queira que as coisas no Brasil continuem como estão.
A direção do PT fluminense exigirá hoje uma retratação formal de Menem. Os petistas entregarão a exigência no consulado argentino no Rio.

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