Brasília - Cópia de extrato bancário do empresário Sebastião Buani, apresentado ontem à imprensa, registra o saque de um cheque de R$ 40 mil no dia 4 de abril de 2002. A data é a mesma do documento supostamente assinado pelo deputado Severino Cavalcanti (PP-PE), que prorroga a licença de funcionamento de um restaurante na Câmara dos Deputados. Menos de 24 horas depois de o presidente da Câmara classificar de ''fraudulento'' o documento de prorrogação do contrato, cópia do extrato bancário foi apresentada à Polícia Federal pelo dono de restaurante. O extrato mostra que o cheque não foi à compensação bancária, e o dinheiro foi sacado no caixa do banco.
''Prova não é, mas é uma evidência, uma tremenda de uma evidência'', comemorou Buani. Os R$ 40 mil corresponderiam à primeira parcela da propina paga a Severino para prorrogar seu contrato com a Câmara. O dono de restaurante espera receber hoje a cópia de oito cheques solicitados ontem ao Bradesco. Um deles comprovaria, segundo o empresário, o saque de uma das parcelas do chamado ''mensalinho'' por um dos motoristas do deputado Severino Cavalcanti.
''Não sei se o cheque era nominal, mas me lembro de ter recebido um telefonema do banco dizendo que havia um senhor na agência para descontar um cheque meu. Era o motorista do deputado'', reafirmou ontem o empresário.
Ouvida ontem cedo pela Polícia Federal, a gerente da agência do Bradesco à época do saque disse não se lembrar do caso. Jane Albuquerque contou que seguia os procedimentos de praxe para saques de quantias elevadas, como consultar o cliente para confirmar a emissão dos cheques.
A reportagem ouviu dois dos motoristas que servem o deputado, José Sabino e Cláudio Divino, mas eles negam a história. Entre fevereiro e novembro de 2003, Buani afirma ter pago R$ 70 mil em parcelas mensais ao atual presidente da Câmara em troca da prorrogação dos negócios do restaurante. Um desses pagamentos teria sido feito mediante cheque.

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