A crise financeira brasileira está conduzindo governadores, prefeitos e dirigentes de entidades como a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e Confederação Nacional da Indústria (CNI), a um objetivo comum: a formação de um grupo suprapartidário para discutir e encaminhar ao presidente Fernando Henrique Cardoso propostas consensuais sobre como o País pode enfrentar este periodo de turbulência, que ameaça a estabilidade, sem sacrificar a população. Defensor intransigente da idéia, o governador do Espírito Santo, Vitor Buaiz (PV), iniciou contatos para formação do que ele batizou de União Nacional.
A proposta vem ganhado adesões à luz dos acontecimentos dos últimos dias, como a perda de cerca de Us$ 30 bilhões das reservas cambiais, o aumento da taxa de juros e o apelo do presidente sobre a necessidade de um duro ajuste fiscal envolvendo estados, municípios, Legislativo e Judiciário, sem o qual poderá haver elevação de impostos. Vitor Buaiz é a favor para o Brasil da Terceira Via, modelo social-democrata adotado por alguns países da Europa, que defende o desenvolvimento da economia de mercado sem eliminar o social e tornar o País refém do capital externo.
‘‘É preciso um conjunto de forças para se estabalecer uma agenda mínima de discussão sobre a melhor forma de fortalecer internamente o País’’, sugeriu Buaiz, que visualiza um cenário pessimista para o Brasil, cuja previsão de crescimento para o próximo ano é, segundo ele, de 1%. Buaiz diz que a situação é grave e já entrou em contatos para a formação do grupo, com os governadores do Distrito Federal, Cristovam Buarque (PT), de Minas Gerais, Eduardo Azeredo, do Rio, Marcelo Alencar, ambos do PSDB, o prefeito de Belo Horizonte, Célio de Castro (PSB), a ex-prefeita de São Paulo, Luiza Erundina (PV), presidente de partidos e pretende conversar com os dirigente de entidades como Associação Brasileira de Imprensa (ABI), Central Única dos Trabalhadores (CUT), Força Sindical, além da CNBB e CNI.
A Frente das oposições, liderada pelo candidato a presidente Luiz Inácio Lula da Silva, também estuda apresentar propostas para o país superar a crise. Faltando apenas uma semana para as eleições, o problema seria fazer estas propostas chegar a maioria da população. Seria uma mudança radical no discurso petista até agora apresentado nos programas eleitorais de rádio e TV, que se baseia unicamente no diagnóstico da crise.

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