Brizola volta a criticar PT
e admite ficar fora da chapa

Arquivo FolhaLeonel Brizola: ‘Toda vez que o PT levantar, vamos contra-atacar’O ex-governador Leonel Brizola, que negocia a participação na chapa do PT como candidato a vice-presidente da República, está com a língua cada vez mais afiada contra os petistas. Ele admite que começa a ficar descrente de que será possível estar ao lado de Luiz Inácio Lula da Silva, candidato a presidente do PT. Brizola não se conforma com as exigências do PT nos Estados. ‘‘Se não engolirmos a candidatura (da vereadora Jurema Batista, pré-candidata ao Senado) patrocinada pelo deputado Carlos Santana (PT-RJ) forma-se uma maioria contra a aliança (regional).
O ex-governador insiste em chamar de ‘‘direitistas’’ os chamados radicais do PT no Rio que rejeitam o apoio ao candidato do PDT ao governo do Rio, o ex-prefeito de Campos Anthony Garotinho, e reafirma que as práticas do partido de Lula no Rio lembram os primeiros tempos do partido nazista alemão. ‘‘Foi uma observação fraterna, no sentido de que eles deviam se cuidar’’, disse o pedetista. Para se explicar, ele chegou a fazer um paralelo da pretensão socialista do partido nazista com o ideal do PT.
AE- O senhor tem partido para o contra-ataque contra o PT. Recentemente, o senhor fez um paralelo das posturas de certos petistas no Rio ao nazismo. O senhor não teme que isto prejudique as negociações para a formação da aliança?
Leonel Brizola- Eu não os chamei de nazistas. O que eu disse é que estas práticas faziam lembrar os primeiros tempos do partido nazista. Foi até uma observação fraterna, no sentido de que eles deviam se cuidar. Por que este ódio contra mim? Nesta altura da minha vida, com os meus cabelos brancos, me convenceram de que quem me hostiliza com ódio é de direita. Eles se acham no direito de nos agredir. Nós nos demos por satisfeito com uma nota do PT desautorizando a direção regional. Eu até pedi desculpas públicas, por uma ou outra palavra mais dura. Mas depois vem o Vladimir (Vladimir Palmeira, pré-candidato ao governo do Rio pelo PT, da ala radical), dois dias depois, com uma entrevista agressiva, preconceituosa.
AE - Por que preconceituosa?
Brizola - Por que nos chama de populista e o Garotinho de filhote do populismo brizolista. Ele atingiu um candidato a vice-presidente do partido e questionou duramente a idéia da aliança. Não tivemos alternativa e retalhamos. Toda vez que o PT levantar, vamos contra-atacar. Por que, com isto, eu estou até contribuindo para que o PT aprenda a ter aliados. O PDT trabalhou como ninguém, sinceramente pela aliança. Para nós, sempre significou uma parceria. Jamais uma aliança cujas partes acabam morrendo na praia. Agora não há como deixar de reconhecer que tudo tem sido difícil. Neste momento, não me conformo com a forma como as direções regionais do PT estão encarando suas responsabilidades. Ao PT cabe o papel de coordenador político. Eu me recordo quando Juscelino (ex-presidente Juscelino Kubitschek) foi apoiado por nós. O seu staff iniciou vários entendimentos nos Estados.
AE - É uma crítica à direção nacional do PT?
Brizola - Não é uma crítica. É um comentário sincero. A rigor, não há nenhum estado da federação em que o PT se disponha a nos apoiar de uma maneira natural, solidária. Mesmo no Rio de Janeiro, nós estamos cheios de senões. Os problemas internos no PT imobilizam os entendimentos da direção nacional. No Rio, haverá maioria para o apoio ao Garotinho se nós aceitarmos a candidatura da vereadora Jurema Batista para o Senado.
AE - E o PDT não quer aceitar?
Brizola - Nós não temos restrição pessoal a ela. Nós achamos que falta para ela lastro eleitoral e entendemos que o mais indicado é que o Senado venha caber ao PSB.
AE - Mas aí não tem aliança.
Brizola - Veja bem. Iniciamos o nosso entendimento para que a senadora Benedita fosse candidata a vice-governadora. Agora verificamos que há um problema interno, disputas dentro do PT. Se não engolirmos a candidatura patrocinada pelo deputado Carlos Santana (PT-RJ) forma-se uma maioria contra a aliança. Agora está paralisado. Em compasso de espera. Eu às vezes acho que as pessoas no PT comportam-se como se estivessem numa roda de crianças. Eles não estão se importando com a candidatura do Lula. No meu conceito, isto é que deixa o Lula triste e desmotivado.
AE- O senhor está sem esperanças?
Brizola - Eu vou me jogar para valer. Eu quero que a aliança seja para valer e não para atravessar um episódio eleitoral friamente, calculando o que vai acontecer no ano 2002. Eu costumo dizer que, no baixo clero, não há problema, todos querem a aliança. No PDT também. Mas, quando chega a nível de cônego, com meia vermelha, a situação fica complicada. No alto clero não há maiores problemas. A nível de bispos, não há problema maior.(AE)

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