O presidente nacional do PDT, Leonel Brizola, propôs ontem em São Paulo a recontagem de votos na eleição presidencial e na disputa no Estado. Candidato a vice na chapa de Lula (PT), na disputa pela Presidência, Brizola entregou aos dirigentes dos partidos que compõem a União do Povo Muda Brasil (PT, PDT, PSB, PCB e PC do B) um documento, no qual defende a recontagem.
O pedetista baseia seu pedido da pequena diferença de votos obtidos em São Paulo pelos candidatos do PSDB, Mário Covas, e do PT, Marta Suplicy. ‘‘Devemos fazer uma recontagem geral rigorosíssima’’, sugeriu Brizola. Para ele, a reeleição de FHC também carece de legitimidade, uma vez que o candidato da frente de esquerdas não foi ao segundo turno por uma diferença de ‘‘apenas 2,5%’’.
‘‘Não há uma legitimidade plena para o atual presidente em relação aos resultados eleitorais’’, sustentou Brizola. Para ele, a oposição cumpriu seu dever e seus objetivos nas eleições. ‘‘Tudo o que a oposição alcançou foi de legitimidade plena’’, disse.
Lula também defendeu a recontagem dos votos para o governo paulista. Segundo ele, a eleição no Estado sofreu uma ‘‘manipulação vergonhosa’’ por parte dos institutos de pesquisas. ‘‘Os outros candidatos deveriam ter uma atitude de grandeza e pedir a recontagem’’, sugeriu. Ele não quis opinar sobre a posição de seu partido no segundo turno no Estado.
O petista disse que sua preocupação neste momento é eleger os candidatos de seu partido no Mato Grosso do Sul (Zeca do PT), no Distrito Federal (Cristóvam Buarque), no Rio (o pedetista Anthony Garotinho) e no Rio Grande do Sul (Olívio Dutra).
Em Pernambuco, o governador Miguel Arraes (PSB), também levantou suspeita com relação à contagem, mas não quis detalhar sua opinião. Ele também não quis reconhecer ontem sua derrota nas urnas, dizendo ter aceito a candidatura, ‘‘sem ilusões e contra a sua vontade’’, para atender a uma ‘‘convocação de companheiros’’ da Frente Popular. Ele foi derrotado, em primeiro turno, pelo ex-prefeito de Recife Jarbas Vasconcelos (PMDB), eleito com 64,2% dos votos contra 26,4% do governador. Arraes afirma não se arrepender da decisão, porque considerava importante sair em campanha pela reeleição alertando para o descontentamento ‘‘de baixo’’ que começa a se manifestar em todo o País.
Sobre o ‘‘fim da era Arraes’’, o governador disse não existir era de ninguém e que nunca fez personalização das suas ações. ‘‘Sempre participei e vou continuar participando’’, disse.
Arraes não falou sobre seus planos e futuro político. Disse que sua preocupação atual é com o término do mandato e colocou o governo à disposição do vencedor, para uma transição. (Colaborou Ângela Lacerda).Arquivo FolhaSuspeitaBrizola e Lula: ‘‘Não há legitimidade plena’’, diz o ex-governadorCarla Franco
Agência Estado

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