Agência Estado
Do Rio de Janeiro
O presidente nacional do PDT, Leonel Brizola, vai pedir ao governador Anthony Garotinho que se reúna com as direções regionais dos partidos que o apóiam. O objetivo é tentar levar o PT de volta ao governo e manter a aliança política das esquerdas no Estado, que, com a crise detonada pela iniciativa dos petistas, ameaça esfacelar-se. Depois de reunir-se com a executiva nacional do seu partido, o pedetista disse que Garotinho tem um estilo pessoal de tratar as questões e atribuiu o conflito com o PT a problemas antigos. O governador exonerou ontem todos os petistas que ocupavam cargos na administração.
‘‘Lamento que os partidos não tenham tratado em conjunto essas questões desde a formação do governo’’, disse. Para ele, isso evitaria muita coisa, como a corrida por cargos. Ontem, já exonerado, o ex-secretário de Transportes Raul de Bonis criticou Garotinho, segundo ele ‘‘muito centralizador’’.
Oficialmente, porém, tudo vai bem e a aliança continua. De manhã, Garotinho aparentava tranquilidade ao tratar do assunto. ‘‘A aliança, pelo meu desejo, permanece’’, declarou. O governador disse que sua união com os petistas não foi fisiológica, mas programática. ‘‘Estou implantando o Banco do Povo, o Orçamento participativo está sendo feito pelo (Jorge) Bittar (secretário do Planejamento), a Bolsa-Escola já foi implantada na Secretaria da Educação’’, disse, referindo-se a projetos do PT.
Líderes da Articulação passaram o dia hoje tentando uma saída para a crise. Se permanecerem no governo, estarão descumprindo uma decisão partidária, tornando-se, assim, passíveis de punição. Três dos líderes – a vice-governadora Benedita da Silva (única imune a essas represálias, já que ocupa cargo eletivo), o secretário do Planejamento, Jorge Bittar, e o secretário de Ação Social, Antônio Pitanga – tomaram café da manhã com Garotinho no e disseram que vão recorrer da decisão ao diretório nacional.

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