Arquivo FolhaFim da linha?Leonel Brizola: atrás de forças para evitar ‘‘o canto do cisne’’O sonho do engenheiro Leonel Brizola de chegar ao Palácio do Planalto pode estar chegando ao fim. Aos 75 anos e em plena era da globalização, o líder do PDT busca forças para evitar o canto do cisne de sua carreira política na propalada união das esquerdas, que batizou de Federação dos Partidos. ‘‘É a única forma de acabar com o Plano Real e o neoliberalismo do Fernando Henrique’’. O ex-governador garante que vai ‘‘renascer das cinzas’’, mesmo descartando que vá mais uma vez disputar à Presidência, depois de duas derrotas consecutivas.
Herdeiro do legado trabalhista, Brizola assiste ao esvaziamento gradual do seu partido e espera o resultado do congresso nacional do PT, previsto para os dias 29, 30 e 31 deste mês no Rio, para definir o seu futuro político: candidatar-se ao Senado ou à Câmara Federal. Há ainda a possibilidade de não concorrer a cargo eletivo e continuar a viver uma espécie de exílio político sem mandato, caso não viabilize a aliança nacional dos partidos de esquerda.
‘‘Estou empenhado na formação desta aliança na qual vou atuar como um coringa: onde for necessário’’, observa Brizola. Ele acredita que ‘‘dificilmente FHC vai conseguir a aprovação da maioria da população brasileira para se reeleger’’ e despreza as pesquisas que colocam o presidente em primeiro lugar na disputa pela reeleição. Mas se baseia nas mesmas consultas populares que indicam que seu nome é bem aceito para o Senado ou Câmara Federal.
‘‘Vamos aguardar o resultado do congresso do PT’’, diz o líder do PDT na Câmara, deputado Miro Teixeira. ‘‘Só depois disso devemos definir o que fazer’’. Brizola e todo o PDT torcem para que o congresso reeleja José Dirceu à presidência do PT. Mantido no comando do partido e com disposição já declarada de fazer alianças nacionais amplas, Dirceu lutaria para agrupar ao PT, o PDT, PCdoB, PSB e até o PPS do senador Roberto Freire que ensaia formar uma nova legenda de centro-esquerda. Na aliança comandada pelo PT teria ainda espaço para os insatisfeitos do PSDB. Dessa forma, Luiz Inácio Lula da Silva teria mais fôlego para competir com o presidente Fernando Henrique Cardoso. O adversário de Dirceu à presidência do PT, o deputado federal Milton Temer (PT/RJ), é contrário à ampliação da aliança, o que inviabilizaria a candidatura de Lula ao Palácio do Planalto.
‘‘A aliança não pode ser só dos partidos de esquerda, mas de todos os descontentes com o neoliberalismo desse governo’’, destaca Brizola. A Federação dos Partidos, como chama o ex-governador a união nacional, ajudaria ainda os aliados nos Estados. Este contexto interessa e muito a Brizola que teria segurança para tentar uma vaga no Senado ou na Câmara e trabalhar a campanha dos prefeitos de Niterói, Jorge Roberto da Silva ou o de Campos, Anthony Garotinho, virtuais candidatos do PDT ao Palácio Guanabara. Eles concorreriam com o ex-prefeito Cesar Maia (PFL) e o governador Marcello Alencar (PSDB), ex-seguidores e agora ferrenhos opositores de Brizola. O PT ficaria como vice na chapa.
‘‘O Brizola será o grande motor da unidade e, para isso, não precisa necessariamente de mandato’’, analisa o presidente regional do PDT, Vivaldo Barbosa. ‘‘O Senado Federal seria um bom caminho para ele renascer das cinzas’’, aposta a líder do PDT na Assembléia Legislativa fluminense, deputada Graça Mattos.

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