Brizola pede votos para Lula
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sábado, 28 de setembro de 2002
Maria Duarte<br>Equipe da Folha 
Pato Branco Faltando apenas uma semana para as eleições de 6 de outubro, o presidente nacional do PDT, o ex-governador do Rio de Janeiro Leonel Brizola, não esconde mais a sua intenção de abandonar a candidatura do ex-ministro da Fazenda Ciro Gomes, lançado pela frente formada pelo PPS-PTB-PDT. Brizola fala abertamente em emprestar apoio ao candidato do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, já no primeiro turno.
Brizola tornou pública sua posição de apoio a Lula durante comício em Santo Antônio do Sudoeste (97 km a oeste de Francisco Beltrão), na última sexta-feira. ''Num segundo turno entre José Serra (PSDB) e Lula, fico com o sapo barbudo. Mas, se sentir que dá para ele ganhar no primeiro, vou orientar para que o PDT vote em Lula agora'', declarou Brizola, chamando Lula pelo apelido que deu ao petista na campanha de 1989. Brizola, candidato ao Senado, foi ao Sudoeste para engrossar a campanha de Alvaro Dias (PDT) ao governo do Estado.
O comandante do PDT, aliás, não compareceu anteontem ao lançamento do programa de governo de Ciro, em São Paulo. O cacique vem defendendo, dentro da frente, a adesão à candidatura de Lula. Horas após o comício, Brizola reforçou sua posição durante reunião, à noite, na casa do prefeito de Pato Branco, Clóvis Paduan (PPB). Na ocasião, o presidente nacional do PDT revelou que terá um encontro com Lula, no Rio, nas próximas horas.
Na quarta-feira, o comandante do PDT chegou a telefonar para integrantes da frente propondo uma reunião para discutir essa tese. O comando da campanha de Ciro torceu o nariz, mas Brizola mantém-se firme na avaliação de que Ciro ''deu uma escorregada'', lembrando o episódio em que o ex-ministro disse que o papel de sua namorada, a atriz Patrícia Pillar, era dormir com ele. O episódio foi fartamente explorado pelos adversários.
Caso o PDT confirme mesmo o apoio a Lula, no Paraná a costura do acerto não será tranquila. No Estado, quem está com Lula é o candidato do PMDB ao governo, Roberto Requião. Brizola ainda articula junto com o comando do PTB uma fusão das duas siglas, prevista para depois das eleiçõs, conforme decidido pelas direções dos partidos. A princípio, o PPS fica de fora da fusão.


