O candidato a vice-presidente na chapa da frente de esquerda, Leonel Brizola, telefonou ontem ao candidato do PDT ao governo de São Paulo, Francisco Rossi, para contornar o mal-estar provocado pelas declarações do pedetista de que não fará campanha para Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo Brizola, Rossi disse que não dividirá o palanque com Lula, mas votará nele e dirá isso durante a campanha. ‘‘Houve um mal-entendido, um instante de incompreensão’’, disse Brizola. ‘‘Eu mesmo disse ao Lula: nós temos de vestir a camisa do Rossi e compreender. E ele não foi feliz quanto ao que transcreveram na imprensa.’’ Segundo o pedetista, Rossi lhe disse que não programara a presença do petista em seu palanque porque ‘‘não tinha certeza de que ele iria e não queria constranger o Lula, que está apoiando a Marta (Suplicy).’’
O pedetista traçou um paralelo com o Rio Grande do Sul, onde apóia a candidatura de Emília Fernandes, e o PT sustenta Olívio Dutra, e ambos fazem campanha para Lula. ‘‘Então, é melhor tratarmos de administrar a situação, cordialmente, amistosamente, como companheiros de uma causa maior, realizando uma disputa noutro plano, com todo o cavalheirismo, com toda a educação’’, disse Brizola. ‘‘Vamos nos preparar para nos unirmos no segundo turno.’’
A cúpula do PDT esperava, no fim da tarde, uma manifestação de Rossi favorável a Lula. As conversas telefônicas para contornar a crise também tiveram a participação do próprio Lula e do presidente nacional do PT, José Dirceu. ‘‘Sabemos que uma eleição com dois palanques tem problemas’’, afirmou Lula.
Emília A candidata do PDT ao governo do estado do Rio Grande do Sul, Emília Fernandes, negou ontem pela manhã a retirada de sua candidatura para reforçar ainda no primeiro turno a posição de Olívio Dutra (PT) contra o governador licenciado que disputa a reeleição pelo PMDB, Antônio Britto. Ela refutou as especulações de que PT e PDT estariam organizando uma permuta de candidaturas, com renúncia do candidato de um partido no Estado em que o outro tiver melhores condições de vitória, como em São Paulo, onde Francisco Rossi (PDT) está à frente de Marta Suplicy (PT). Emília disse que seu partido é oposição a Britto mas também tem diferenças com o PT, aliado na disputa pela presidência. A candidata admite apoiar Olívio somente num eventual segundo turno e reclama que a imprensa não tem aberto espaço para a divulgação do programa de governo do PDT. ‘‘Há setores da imprensa tentando ocultar minha candidatura’’, afirmou. Para ela, as pesquisas que a colocam na faixa de 5% das intenções de voto dos gaúchos ‘‘deixam muitas dúvidas’’ porque consultas do próprio partido indicariam um percentual de 10 a 12,5%.

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