Brizola pede a renúncia do presidente
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quinta-feira, 24 de setembro de 1998
Leandro Donatti 
Candidato a vice na chapa do ex-sindicalista Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para a Presidência da República, o presidente nacional do PDT e ex-governador do Rio de Janeiro Leonel Brizola pediu ontem em Curitiba a renúncia do presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB). Tornou-se imperativa a mudança de governo. Tem que trocar o presidente e toda equipe econômica, discursou. Acompanhado do candidato da coligação PT-PDT-PMDB ao governo, senador Roberto Requião (PMDB), Brizola fez campanha-relâmpago pelo Paraná.
Para ele, o pronunciamento feito pelo presidente da República na última quarta-feira, sinalizando um aumento de impostos, é a confissão do fracasso. Esse governo está insistindo numa linha que já demonstrou ser impraticável para o nosso País, avaliou. Brizola pediu votos para Lula. Na sua avaliação, a vitória do petista ajudaria o Brasil na crise. O Lula assumiria sem desgaste e teria autoridade para pedir um crédito de confiança junto aos organismos internacionais, observou.
A vitória de um trabalhador deixaria o mundo perplexo. Nossos irmãos argentinos ficariam sem falar. Mas o Lula mostraria que é melhor negociador, emendou. O ex-governador disse que ainda há muito preconceito contra a candidatura de Lula, mas que a confissão do presidente abre esperanças para a chapa das esquerdas nessa reta final. As eleições não estão definidas. As pesquisas não são verdadeiras. Os institutos de pesquisa estão aproveitando a safra para faturar, criticou ele. Só assim conseguiremos debater a questão com maior profundidade, considerou.
No seu discurso, Brizola disse que o presidente Fernando Henrique não conseguiu controlar o déficit público. Pelo contrário, agravou a situação. Todas as medidas planejadas pelo presidente para depois das eleições implicam em cortes de verbas e geram o desemprego. O ex-governador do Rio disse que só este motivo já justifica a luta da oposição em busca de um segundo turno.
O vice de Lula defendeu também a troca de governadores em outubro. Muitos deles estão dando sustentação à política do Fernando Henrique, justificou. Brizola fez menção aos governadores Jaime Lerner, do Paraná, e Dante de Oliveira, do Mato Grosso. Ambos trocaram o PDT pelo PFL. Eles me traíram, reclamou. Para ele, mesmo com as baixas o PDT sai fortalecido depois das eleições. Enquanto o Leonel Brizola e seus companheiros estiverem vivos, o trabalhismo não morre, prometeu.
Aos 76 anos, as frases de Leonel Brizola ainda provocam surpresas até no PDT. Ontem, em tom de brincadeira, o ex-governador do Rio informou no seu discurso que está preparando um saco para colocar seus inimigos políticos depois das eleições.


