O ex-governador Leonel Brizola disse ontem, em Porto Alegre, que o PMDB vai ‘‘desmoronar’’ se não lançar candidato próprio à Presidência da República. Ele desafiou o partido a deixar de ser ‘‘uma força sem personalidade’’, sujeita a ser ‘‘absorvida pelos partidos que integram o governismo’’. Caso o PMDB decida não disputar a Presidência, para apoiar a reeleição de Fernando Henrique Cardoso, Brizola aposta que ‘‘uma lasca do partido’’ se aliará à chapa PT-PDT.
O líder pedetista está no Rio Grande do Sul para discutir a aliança PT-PDT com o diretório regional, deputados, vereadores e coordenadores do partido em reunião na noite de ontem. A coligação enfrenta resistências de parte do grupo do ex-governador Alceu Collares.
Brizola reiterou que a oposição, na hipótese de vitória em 1998, suspenderá o processo de privatizações para detectar irregularidades que eventualmente tenham sido cometidas na venda do patrimônio público, especialmente em áreas estratégicas. Mas admitiu que, em 1999, a maior parte das estatais, como as dos setores de energia e telecomunicações, já terá rumado para mãos privadas.
‘‘De estatais só sobrarão o Fernando Henrique, seus filhos e parentes. O último estatizado foi o genro’’, ironizou, referindo-se ao presidente da Agência Nacional do Petróleo (ANP), David Zylbersztajn. Ele criticou o comportamento da mídia no episódio das privatizações. ‘‘Houve um oba-oba que a imprensa quis e o empresariado também’’, opinou. Segundo ele, ‘‘a queima de patrimônio público’’ alimentará obras eleitoreiras em 1998.

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