Wilson Tosta
Agência Estado
Do Rio de Janeiro
O possível lançamento da candidatura do presidente nacional do PDT, Leonel Brizola, à Prefeitura do Rio, ameaça implodir o quadro político da sucessão municipal e pode ser o primeiro passo para um rompimento entre petistas e pedetistas nas eleições presidenciais de 2002. A tendência de afastamento das duas legendas na próxima disputa nacional é admitida pelo próprio Brizola, que ainda não assume oficialmente a sua candidatura, mas já não a nega como antes e avisa: está avaliando o quadro e poderá mesmo concorrer. ‘‘Hoje, sou candidato potencial’’, diz o pedetista.
A movimentação de Brizola, segundo integrantes do comando do PDT, tem dois alvos. Um é o governador do Rio, Anthony Garotinho (PDT), que se lançou em 1999 candidato a presidente em 2002 – candidatura que Brizola quer abortar. O outro é a vice-governadora, Benedita da Silva (PT), aliada do governador numa aliança acertada em 1998.
Na ocasião, a direção do PT cassou a candidatura de Vladimir Palmeira para apoiar o pedetista. Se concorrer, Brizola tirará sentido da candidatura Benedita (que quer apoio da aliança) e constrangerá Garotinho, que não poderá apoiar outro partido se o seu tiver um postulante.
A sucessão carioca entrou em dias decisivos. Na semana passada, Benedita finalmente assumiu oficialmente que é pré-candidata. Ela prometeu ‘‘gravar tudo o que disser’’ e cobrou publicamente do presidente do PDT o compromisso que, afirma, foi firmado por PT e PDT em 1998 e que, agora, segundo os políticos que a apoiam, Brizola quer romper. ‘‘Quero discutir a aliança com Brizola’’, afirmou a vice-governadora.
Hoje, o Grupo Refazendo, que se opõe à Articulação de Benedita, debate quem será o seu candidato para enfrentá-la nas prévias do partido: o deputado Chico Alencar ou o próprio Palmeira. No dia 29, Brizola terá a sua candidatura lançada extra-oficialmente, numa festa por seus 78 anos. Só em março ela deverá ser oficializada.
Um dos articuladores da candidatura de Brizola, o deputado Miro Teixeira, nega que o objetivo da movimentação do presidente do PDT seja atingir Garotinho e/ou Benedita. Segundo ele, o PDT vai lançar candidatos em várias cidades para se preparar para a reforma política, que deverá proibir coligações e instituir a chamada cláusula de barreira (estabelecimento de um piso de votos para que uma legenda tenha representação parlamentar). ‘‘Aqui no Rio de Janeiro, o nome é mesmo o de Brizola’’, diz o parlamentar. Ele afirma que o objetivo não é causar problemas a ninguém, mas unir o PDT.
‘‘Em política, às vezes, você encontra o consenso estimulando o dissenso’’, declara. ‘‘Se você ficar apenas tentando o consenso, não consegue fazê-lo’’. O PDT, porém, está dividido sobre a conveniência de lançar Brizola. Alguns, mais próximos do presidente do PDT, trabalham por isso desde o fim do ano passado e confiam na possibilidade de um bom resultado, mesmo que não necessariamente uma vitória. Outros temem um vexame eleitoral que enterre definitivamente o brizolismo e deixe o caminho aberto para Garotinho.

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