Brizola faz suspense para anunciar aliança com o PT
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 16 de janeiro de 1998
Agência Estado Rio de Janeiro 
Arquivo FolhaBrizola: Não quer dizer que isso esteja já acertadoO presidente nacional do PDT, Leonel Brizola, insinuou ontem que ainda não deverá ser hoje, - quando se encontra no Rio com o presidente do PT, José Dirceu, e com o virtual candidato petista à Presidência da República, Luiz Inácio Lula da Silva - que será fechada a chapa das esquerdas para disputar a Presidência. Embora tenha dito que o PDT pretende entrar em campanha (com ou sem o PT) a partir de 15 de fevereiro, Brizola também admitiu a hipótese de ser candidato.
É possível que hoje o pedetista se apegue a discussões programáticas, como a da revisão das privatizações, para adiar a decisão. Se o velho Getúlio (o presidente Getúlio Vargas) estivesse em meu lugar, diria: Pode usar meu nome, eu me honrarei muito em ser vice ou coadjuvar a candidatura de um trabalhador. Agora, não quer dizer que isso (a aliança PT-PDT) esteja já acertado.
Antes de fechar a aliança, PT e PDT ainda têm problemas internos a resolver. Mesmo depois que José Dirceu anunciou que oficializaria o convite a Brizola para ser candidato a vice, militantes dos dois partidos ameaçam romper os entendimentos e lançar Lula e Brizola em chapas separadas. Existem tendências no PDT que acham que Brizola deveria ir para a mesa de negociações já com a sua candidatura lançada, disse o deputado federal Miro Teixeira (PDT-RJ).
Em discussões internas, Teixeira e outros pedetistas já admitiram temer que o PDT suma em uma eventual aliança com o PT. Na avaliação desses pedetistas, a bancada do partido na Câmara não crescerá em 98, contexto em que uma candidatura própria do PDT ajudaria a aglutinar o que resta do voto brizolista. Na luta interna do PDT, Teixeira tem enfrentado o prefeito de Campos, Anthony Garotinho, que quer ser candidato a governador do Rio com o apoio do PT. Garotinho se aliou à senadora Benedita da Silva (PT-RJ), apresentando como fato consumado a candidatura de Brizola a vice-presidente.
Brizola parece um garotinho de tão entusiasmado, afirmou, num trocadilho, o prefeito de Campos. Não é bem assim. Brizola tem resistido às pressões para se lançar candidato a presidente, mas aproveitou as articulações dos dois grupos - e também os acenos que recebeu do PSB e do PPS - para valorizar sua posição nas negociações.
No PT, as coisas se complicaram no grupo que é considerado decisivo para as negociações: o do deputado Carlos Santana (RJ), que controla 30% da legenda no Rio. Santana quer que a vereadora Jurema Batista, de sua corrente, seja candidata a senadora, na aliança com Garotinho. Mas há resistências no PDT. Já avisei que, se não der para a Jurema ser candidata ao Senado, não dá para apoiar o PDT, afirmou o deputado.


