RIO DE JANEIRO - O presidente de honra do PDT, Leonel Brizola, e o presidente do PT, José Dirceu, defenderam ontem, no velório do senador Darcy Ribeiro (PDT-RJ), a união dos partidos de esquerda para disputar a eleição presidencial de 1998. Brizola e Dirceu, no entanto, já tiveram uma primeira divergência, quanto à possibilidade de cooptação de setores do ‘‘campo conservador’’, defendida por Brizola.
Brizola elencou, entre os supostos setores conservadores insatisfeitos com a política econômica do governo FHC, ‘‘a agricultura, a indústria nacional, todo esse mar de pequenas e médias indústrias que estão sendo aniquiladas, o pequeno comércio’’.
O ex-governador do Rio chegou a aventar a hipótese de o candidato da esquerda pertencer a um dos setores que ele gostaria de atrair para a candidatura de oposição ao governo Fernando Henrique Cardoso. Ele declarou ser cedo para falar em nomes.
Dirceu disse que o PT também trabalha com a hipótese da união das esquerdas em 1998. Ele deu a entender, porém, que não concorda com a idéia de cooptar setores de fora da esquerda. ‘‘Nós temos feito alianças pontuais apenas, não temos trabalhado com a idéia de aliança com esses setores em 98.’’
Para Brizola, o povo brasileiro está ‘‘exigindo’’ das esquerdas a unidade na eleição presidencial de 98. ‘‘O mais importante neste momento é quebrar a espinha do chamado neoliberalismo.’’
José Dirceu disse que a prioridade atual do PT é buscar a união dos partidos de esquerda. Para Dirceu, só depois de garantir essa unidade é que a esquerda deverá ‘‘disputar na sociedade os setores que, apesar de não concordarem com a esquerda, não concordam em hipótese alguma com o rumo que Fernando Henrique está dando ao Brasil’’.

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