Os presidentes nacionais do PDT, Leonel Brizola, e do PSB, Miguel Arraes, iniciam oficialmente esta semana o processo de fusão das duas legendas, dando origem à mais nova agremiação política brasileira - que deverá se chamar Partido Trabalhista Socialista - e desencadeando, na prática, a reforma partidária. A decisão, que encerra cerca de cinco meses de negociações feitas em sigilo, foi tomada na sexta-feira, em reunião entre Brizola, Arraes e outros dirigentes pedetistas e socialistas, em Brasília. Será formada uma comissão para preparar o novo partido, que poderá viabilizar a candidatura do governador de Minas Gerais, Itamar Franco (PMDB), à presidência da República.
Se conseguir somar as bancadas atuais na Câmara dos Deputados e no Senado, o PTS terá 39 deputados federais e seis senadores, além de três governadores: Anthony Garotinho (RJ), Ronaldo Lessa (AL) e João Capiberibe (AP). O novo partido, com perfil social-democrata, foi assunto de conversas informais ainda durante a campanha de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à presidência da República, no ano passado. Os petistas, porém, não gostaram da idéia de abrir mão de suas identidades político-partidárias e preferiram se limitar a tornar permanente a frente que fora formada apenas para apoiar Lula.
Questões práticas e políticas empurraram Brizola e Arraes para processo de fusão. A proposta de reforma política que tramita no Senado promete criar dificuldades para os partidos pequenos, o que o PDT (com 24 deputados federais e três senadores) e o PSB (com 15 representantes na Câmara e três no Senado), efetivamente, são. Uma cláusula de barreira, que exija um porcentual mínimo de votos para que os partidos possam chegar ao Legislativo, ou a proibição de coligações, por exemplo, poderiam decretar a ‘‘morte parlamentar’’ das duas agremiações. O futuro partido sonha também atrair candidatos do PC do B e do PPS.

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