Arquivo FolhaCusto políticoBrizola: ‘‘Se esse for o preço que temos que pagar pela unidade das oposicões,
estou disposto a pagar’’O presidente nacional do PDT, Leonel Brizola, disse anteontem à tarde, em Foz do Iguaçu, que aceita ser ‘‘coadjuvante’’ de Luís Inácio Lula da Silva para derrotar o presidente Fernando Henrique Cardoso na eleição do próximo ano.
‘‘Se esse for o preço que temos que pagar pela unidade das oposições, que é indispensável para vencermos as eleições, estou disposto a pagar esse preço’’, afirmou, ao defender uma chapa da frente das esquerdas em que Lula seria candidato a presidente e ele, Brizola, a vice.
Brizola defendeu que, numa frente dos partidos de oposição a Fernando Henrique, o PT, por ser o ‘‘partido mais forte’’, indicaria o candidato a presidente. Ao PDT caberia a indicação do vice. ‘‘Eu já disse ao Lula: se for o caso, eu vou te coadjuvar nas eleições, para concorrer e vencer’’, declarou.
O ex-governador afirmou não ter ‘‘preconceito e nem restrição’’ em relação a Lula e considerou superadas as críticas mútuas na eleição presidencial de 1989, quando Lula foi derrotado por Fernando Collor no segundo turno.
Em relação à possibilidade de o ex-governador cearense e ex-ministro tucano Ciro Gomes vir a integrar essa eventual frente das oposições, Brizola foi cauteloso. ‘‘Ele é um caso ainda a ser esclarecido. Mas acompanho com simpatia o fato de alguém estar abrindo uma dissidência no outro lado. Agora ele precisa queimar seus navios, sair do PSDB e navegar sozinho.’
Dizendo-se ‘‘angustiado, triste e sofrendo com a situação do País’’, Brizola, 75 anos, informou que, nas eleições do próximo ano, assumirá uma posição de ‘‘curinga’’ dentro do PDT.
Nessa função, ele poderá escolher uma entre quatro candidaturas: a de vice-presidente, na chapa encabeçada por Lula; senador pelo Rio Grande do Sul ou o Rio de Janeiro ou, ainda, a deputado federal pelo Paraná. ‘‘Vou escolher entre uma dessas possibilidades.’
Brizola visitou Foz do Iguaçu para comemorar os 18 anos de sua volta do exílio, a que foi forçado após o golpe militar de 1964. Foi nessa cidade que ele desembarcou, em 20 de setembro de 1979, depois de passar 15 anos fora do Brasil, em países como Uruguai, Estados Unidos e Portugal.
Recebido por menos de 50 militantes e políticos do PDT da região Oeste, Brizola ganhou uma placa de bronze para marcar a data. À noite, ele, que é engenheiro, deu palestra, também em Foz, na abertura do 4º. Congresso Nacional do Sindicato dos Engenheiros, entidade ligada à CUT (Central Única dos Trabalhadores).
O presidente do PDT visitou o Paraná num momento em que o partido sofre um processo de esvaziamento no Estado. No início do mês, a legenda perdeu o governador Jaime Lerner, o prefeito de Curitiba Cássio Taniguchi e o chefe da Casa Civil, Rafael Greca - que migraram para o PFL.
Além disso, o partido perdeu também nove de seus 11 deputados estaduais e o único federal, além de um grande número de prefeitos e vereadores do Estado.
Depois de reforçar seus ataques a Lerner, chamando-o de ‘‘filho ingrato’’ e ‘‘parasita’’, Brizola disse que o PDT do Paraná é ‘‘uma árvore que está sendo podada e vai brotar forte e vigorosa’’. Na manhã de anteontem, antes de embarcar para Foz, ele coordenou, em Curitiba, o lançamento de uma campanha de filiações.

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