Brizola diverge de Lula sobre as privatizações
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quinta-feira, 22 de janeiro de 1998
Agência Estado Rio de Janeiro 
Arquivo FolhaDe voltaBrizola: retomada da Vale do Rio Doce e revisão das privatizaçõesO ex-governador do Rio Leonel Brizola (PDT), pré-candidato a vice-presidente na aliança com o PT, mostrou a primeira divergência com o colega de chapa, Luiz Inácio Lula da Silva, pré-candidato à Presidência da República e presidente de honra petista. O dirigente pedetista defendeu ontem urgência na revisão das privatizações e sugeriu a retomada pelo Estado da Companhia Vale do Rio Doce (CVRD), leiloada em maio de 1997. Somos a favor de uma auditoria geral das privatizações; isto faz parte das nossas prioridades, declarou Brizola, após participar, na Igreja São José, centro do Rio, de uma missa que celebrou os 75 anos de nascimento da mulher dele, Neuza, falecida.
Ao contrário de Brizola, Lula admitiu anteontem, em Porto Alegre, que não considera prioritária a reavaliação dos processos de venda das estatais. Brizola não acredita que Lula rejeite a idéia de rediscussão das privatizações, mesmo porque a proposta foi incluída no programa de campanha elaborado pelo PT, PDT, PC do B e PSB. Vou conversar com Lula para saber o que ele pensa realmente, afirmou, completando que vai falar mais sobre o assunto quando tiver a certeza de que Lula deu estas declarações em Porto Alegre.
O ex-governador afirmou não ter uma visão sectária sobre a venda de estatais, mas que não pode admitir negociatas nos processos de privatizações. Ele não vê, por exemplo, problemas numa aliança eleitoral com o governador de Pernambuco, Miguel Arraes (PSB), que vai privatizar, este ano, várias estatais, entre as quais a Companhia de Eletrificação (Celpe). Ontem, estava previsto um encontro em Brasília entre o ex-governador e Arraes. Brizola lembrou ainda que, em 1952, quando era secretário de Obras Públicas do Estado do Rio Grande do Sul, determinou a venda de 50% das ações da Varig para a iniciativa privada. Eu privatizei a Varig. A exceção é o Estado, a regra é a iniciativa privada, disse.
A divergência entre os dois companheiros de chapa não parece, no entanto, abalar o ânimo de Brizola para começar a campanha com o objetivo, segundo ele, de derrotar o presidente Fernando Henrique Cardoso.


