Arquivo FolhaNovo rumoLeonel Brizola: ‘A realidade já mudou o nosso caminho, tanto em nível nacional quanto estadual’O presidente do PDT, Leonel Brizola, disse ontem que não há mais tempo para acordo com o PT na disputa pela Presidência da República. ‘‘A realidade já mudou o nosso caminho, tanto em nível nacional quanto estadual’’, declarou. ‘‘Lula foi digno ao ameaçar renunciar à sua candidatura, mas não há mais prazo.’ A decisão do PT do Rio de lançar a candidatura de Vladimir Palmeira ao governo do Estado, negando apoio a Anthony Garotinho, do PDT, rachou a aliança entre os dois partidos. Brizola esteve ontem em Caxias do Sul, a 115 quilômetros de Porto Alegre, para fazer uma palestra a estudantes de um curso pré-vestibular.
Com relação à aliança no Rio Grande do Sul, Brizola afirmou que o PDT não vai mais esperar pelo PT. ‘‘O lançamento da senadora Emília Fernandes é irreversível’’, afirmou. Segundo ele, a oficialização da candidatura da senadora acontece no próximo dia 4 de maio, na convenção regional do partido. A senadora, que acompanhou a visita do ex-governador ao interior do Estado, já fala como candidata ao governo gaúcho.
Questionado se será candidato à Presidência pelo PDT, Brizola disse que não ficará ‘‘de braços cruzados’’. ‘‘Quieto não fico e não descarto a possibilidade de concorrer’’. O pedetista afirmou que, em futuro encontro com os líderes dos partidos de esquerda, deixará claro que só aceitará uma frente ampla no segundo turno das eleições.
Palmeira O pré-candidato do PT ao governo do Rio, o ex-deputado federal Vladimir Palmeira, avisou ontem que não abandona a disputa eleitoral no Estado. Irritado com o ultimato dado pelo pré-candidato a presidente e presidente de honra do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, que exige do ex-deputado a retirada da candidatura ao governo em prol de uma aliança com o PDT no Rio, Palmeira afirmou que Lula e o presidente nacional do PT, José Dirceu, são, na realidade, os radicais do partido.
‘‘Nós damos um desconto; não somos os sectários’’, afirmou. ‘‘Não retiro nada; sou candidato das bases.’ Ele duvida que a ameaça de Lula de desistir de disputar a eleição presidencial vá concretizar-se. ‘‘Eu acho que houve um erro de preposição: deve ser Vladimir e Lula’’, disse, irônico, ao comentar a posição do pré-candidato do PT à Presidência da República de pedir para os militantes escolher entre a candidatura dele e a de Palmeira.
Maluf O presidente nacional do PPB, ex-prefeito Paulo Maluf, disse ontem que o PT está pagando por uma política adotada no passado de não fazer alianças políticas. Maluf referiu-se ao episódio de domingo, quando a convenção regional do PT resolveu lançar a candidatura do ex-deputado Vladimir Palmeira ao governo do Rio de Janeiro, rachando a aliança nacional do partido com o PDT de Leonel Brizola. ‘‘O PT está no purgatório, pagando politicamente um ônus, porque nunca quis fazer alianças políticas em sua vida’’, declarou Maluf. ‘‘É um problema cultural, que é a marca do partido.’
Maluf declarou que a aliança com o PFL em São Paulo depende do aval da direção estadual pefelista. O ex-prefeito ofereceu a vaga de candidato a vice-governador e de senador para o PFL. Maluf assedia também o PTB e, segundo deputados federais desse partido, teria oferecido R$ 3 milhões pelo acordo. Maluf nega essa versão.
Ciro O candidato do PPS à Presidência, o ex-ministro da Fazenda Ciro Gomes, previu ontem um crescimento de adesões à sua candidatura, ao comentar a ameaça de rompimento entre o PT e o PDT para a disputa eleitoral deste ano. ‘‘Daqui a pouco, vai ter gente correndo atrás de mim’’, disse Ciro, antes de dar uma palestra na Faculdade Associação Brasileira de Ensino Universitário (Abeu), em Nilópolis, na Baixada Fluminense.
O candidato espera que as adesões ocorram sem que ele interfira nas negociações entre os partidos de Luiz Inácio Lula da Silva e Leonel Brizola - cuja chapa para a Presidência está ameaçada com a decisão dos petistas fluminenses de não apoiar a candidatura de Anthony Garotinho, do PDT, ao governo estadual.

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