Curitiba - O presidente nacional do PDT e ex-governador do Rio de Janeiro Leonel Brizola disse ontem cultivar ''alguma esperança'' de que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reveja os rumos que assumiu em seu governo.
''Se ele (Lula) não mudar, vai perder o apoio do povo brasileiro'', afirmou Brizola. O presidente Lula não comentou as declarações de Brizola. Saiu do velório do deputado José Carlos Martinez, na Assembléia Legislativa do Paraná, sem abordar com a imprensa outros assuntos, a não ser o comentário sobre a morte do aliado.
Leonel Brizola criticou a forma como o governo Lula se relaciona com seus aliados, e citou o exemplo do ministro Miro Teixeira (Comunicações). ''Ele chamou o Miro Teixeira para ser ministro sem ouvir o partido. Ele é ministro do Lula e não do PDT. Não queríamos esse sistema, já é uma prática corrompida'', reclamou Leonel Brizola.
O presidente do PDT disse que o seu partido queria participar das políticas públicas do governo federal, e não fazer parte da distribuição de cargos. Ao agir assim, Lula teria, segundo Brizola, descumprido o que havia conversado com o PDT. Brizola lembrou que prometeu apoio ''irrestrito'' ao ''Lula da campanha''. ''Defendemos que nossas relações sejam institucionalizadas'', completou Brizola.
Além das críticas ao presidente, antes do início do velório Brizola disparou contra o ex-governador do Paraná Jaime Lerner, que trocou o PFL pelo PSB para poder, eventualmente, concorrer à Prefeitura do Rio. Brizola classificou Lerner, que já foi do PDT, de ''aventureiro'', e incluiu nessa classificação o casal Garotinho.
E foi mais longe nas críticas a Lerner. ''Ele já foi meu funcionário e não deu no couro'', disse Brizola, lembrando que chamou Lerner para lhe dar idéias para o Rio. ''Ele não tem credenciais no Rio de Janeiro para se candidatar a prefeito'', disse. Brizola lembrou de sua origem (do Rio Grande do Sul), mas afirmou que começou ''aos pouquinhos'', foi deputado no Rio primeiro.
Brizola declarou que Jaime Lerner ''sondou'' recentemente o PDT, partido ao qual já foi filiado, na suposta tentativa de voltar. ''É muita coragem, depois de ter nos traído como traiu.''
A Folha tentou contato com o ex-governador ou sua assessoria no início da noite de ontem, para que ele comentasse as declarações de Brizola, mas não conseguiu localizar ninguém no Instituto Jaime Lerner, em Curitiba.

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