BRASíLIA - O ex-governador Leonel Brizola, presidente nacional do PDT, subiu ontem à tribuna da Câmara, durante debate público sobre a privatização da Companhia Vale do Rio Doce, para defender a ‘‘destituição do presidente Fernando Henrique Cardoso do governo’’. Para um plenário cheio de funcionários públicos e representantes do Movimento dos Sem-terra - e com poucos parlamentares -, disse que o Brasil está sendo governado por ‘‘um homem mentalmente incapaz’’ e o comparou ao presidente deposto do Equador, Abdalla Bucaran.
Depois, em entrevista, o ex-governador explicou que não defende um golpe de Estado e nem quis falar sobre ‘‘impeachment’’. ‘‘Só acho que com o povo mobilizado nas ruas, o Congresso será pressionado a destituir o presidente do cargo’’. Leonel Brizola criticou ainda a postura do ministro das Comunicações, Sérgio Motta. ‘‘É um ministro que coloca a autoridade do presidente em xeque e o presidente não tem autoridade para demití-lo’’, disse.
O discurso inflamado de Brizola agradou aos manifestantes que estavam no plenário da Câmara, mas deixou alguns deputados do PT constrangidos. E foi praticamente ignorado pelos aliados do governo. ‘‘Respeito Leonel Brizola apenas pelo seu passado’’, disse o secretário-geral do PSDB, deputado Arthur Virgílio (AM). Ainda sobre a privatização da Vale, Brizola afirmou que o presidente Fernando Henrique escondeu isso da população brasileira durante a campanha eleitoral.
‘‘Ele está apunhalando o povo pelas costas, é um usurpador, porque não consultou o povo sobre isso’’, declarou Brizola. Arthur Virgílio retrucou, afirmando que a venda da Vale obedece à lógica do programa de governo de Fernando Henrique Cardoso que, segundo o deputado, foi eleito para fazer a reforma do Estado.

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