O governador do Rio Grande do Sul, Antonio Britto (PMDB), anunciou ontem que se afastará do cargo para concorrer à reeleição. Ele encaminhou pedido de licença de três meses, não-remunerada, ao presidente da Assembléia Legislativa, deputado José Ivo Sartori (PMDB).
Com o afastamento de Britto, o vice-governador Vicente Bogo (PSDB) assumirá o cargo. A candidatura do governador será lançada oficialmente no domingo durante convenção do PMDB estadual. Britto alegou que não gostaria de ‘‘estar dividido’’ na campanha.
O anúncio acontece depois de vários atritos entre o Palácio Piratini e a ala tucana liderada pelo vice de Britto. Bogo pretendia concorrer ao governo do Estado, atrapalhando os planos de Britto de repetir a composição que o levou ao governo em 1994.
Bogo nunca escondeu seu descontentamento com a reduzida influência tucana na administração contrastando com o avanço do PPB, aliado de Britto desde o segundo turno da eleição anterior, e que indicou o candidato a vice desta vez, o deputado estadual José Otávio Germano.
Mas os planos de Bogo foram frustrados na convenção tucana pelos setores favoráveis à coligação com o PMDB. O PSDB governista reclamou que deveria receber mais cargos, seus pedidos foram aceitos e o partido uniu-se à frente pró-reeleição, que soma dez siglas, entre as quais o PTB e o PFL.
MáquinaDiante da decisão, o candidato da Frente Popular (PT-PSB-PC do B-PCB), Olívio Dutra, acusou Britto de ‘‘aproveitar a máquina pública até o último momento, licitando um valor de R$ 69,7 milhões para gastar em promoção pessoal em 1998’’.
Dutra lembrou que o governador e seu partido apoiaram o instituto da reeleição ‘‘que criou regras desiguais para os concorrentes’’, desconfiando que a atitude não seja determinada pela ética e constitua ‘‘uma jogada de marketing’’.
A candidata do PDT, Emília Fernandes, sugeriu que o governador afastado proponha o mesmo aos demais governadores do seu partido e ao presidente da República.

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