O Conselho Superior do Ministério Público Federal decidiu ontem analisar três representações contra o procurador-geral da República, Geraldo Brindeiro, por ter realizado três viagens de férias à ilha de Fernando de Noronha em aeronaves da FAB (Força Aérea Brasileira). É a primeira vez que um procurador-geral da República, cuja missão constitucional é zelar pelo patrimônio público, corre o risco de sofrer inquérito criminal por supostas irregularidades praticadas no exercício do cargo.
A maioria dos dez membros do conselho rejeitou propostas de aliados de Brindeiro para arquivar as representações. O resultado poderá prejudicar a tentativa dele de ser reconduzido ao cargo pela segunda vez. Brindeiro dirige a procuradoria desde 1995. As acusações contra Brindeiro foram apresentadas pelos deputados petistas Arlindo Chinaglia (SP) e Milton Temer (RJ) e por advogados especializados em direito administrativo e constitucional.
Ele é acusado de desrespeito à Lei de Improbidade Administrativa por ter utilizado equipamentos e servidores públicos em proveito pessoal. Os deputados apontam que, por isso, também teria cometido crimes de peculato e corrupção passiva. A assessoria de Brindeiro disse que não irá falar sobre as representações.

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