O procurador-geral da República, Geraldo Brindeiro, receberá hoje o pedido de quebra dos sigilos bancário, fiscal e telefônico de Jader, na investigação sobre emissão de TDAs. O vice-presidente do STF, Ilmar Galvão, decidiu no início da noite de ontem enviar o inquérito. Brindeiro comprometeu-se a se manifestar rapidamente. O parecer irá determinar o destino da investigação.
A tendência do Supremo é deixar nas mãos de Brindeiro a definição de todos os passos preparatórios de um eventual processo criminal, porque o procurador-geral é a única pessoa que poderá propor essa ação futuramente.
A quebra dos sigilos foi pedida pelo delegado da Polícia Federal Luís Fernando Ayres, responsável pelo inquérito que apura a venda de TDAs. A Justiça Federal em Brasília transferiu a decisão para o STF porque os senadores e deputados só podem ser processados nesse foro.
Ontem, Jader acusou o Banco Central de divulgar declarações mentirosas sobre o caso Banpará. O BC rebateu com nota que insinua que o senador distorceu um documento oficial para tentar se eximir de envolvimento no escândalo.
A troca de acusações marca uma nova postura do BC. A instituição vinha mantendo silêncio, alegando sigilo bancário, numa postura que chegou a ser confundida com manobra para proteger Jader.
Na nota, o BC deixa claro que Jader conhece as investigações, pois em 21 de março recebeu um resumo com tudo que dizia respeito a ele no desvio do Banpará, apurado em relatório do inspetor Abraão Patruni Jr. Segundo o BC, somente a leitura da íntegra do relatório encaminhado ao senador e ao MP do Pará permite uma visão correta dos termos em que o senador é citado.
O BC colocou dois servidores da área de fiscalização à disposição de procuradores para ajudar na investigação sobre o desvio do Banpará e informou que começou a apurar a possibilidade de que o sumiço de dinheiro do banco tenha envolvido recursos federais.

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