O procurador-geral da República, Geraldo Brindeiro, disse ontem em Curitiba que existe um consenso para a extinção dos juízes classistas em todo o País. Os classistas são os responsáveis pelas tentativas de conciliação entre as partes na Justiça do Trabalho. Eles não são formados em Direito e, geralmente, são indicados por sindicatos e políticos. ‘‘Acho que somente uma mudança drástica pode trazer um resultado melhor para a Justiça do Trabalho’’, afirmou ele.
Brindeiro não acredita que o fim dos classistas possa trazer mais trabalho aos juízes togados. ‘‘Acho que o papel de conciliação não é da Justiça, os juízes vão continuar apenas julgando as ações’’, disse. Para ele, a extinção poderia ser feita de forma gradual. ‘‘Acho que somente assim, poderemos ter uma Justiça do Trabalho moderna e com um custo mais baixo’’, lembrou. O procurador defendeu ainda uma reforma intensa do Poder Judiciário para agilizar a tramitação das ações na Justiça.
Entre as mudanças necessárias, de acordo com o procurador, está a criação do chamado ‘‘efeito vinculante’’, que tornaria uma interpretação da lei federal única em todos os Estados brasileiros. Segundo Brindeiro, dos 40 mil processos encaminhados no ano passado para o Supremo Tribunal Federal (STF), entre 70% e 80% são casos repetitivos.

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