O procurador-geral da República, Geraldo Brindeiro, recuou ontem e admitiu, pela primeira vez, abrir inquérito criminal contra o presidente do Senado, Jader Barbalho (PMDB-PA). Em nota oficial, ele condiciona o processo ao desfecho das investigações que vêm sendo conduzidas pelo Ministério Público (MP). ‘‘Se as novas investigações concluírem pela autoria e indiciamento do senador Jader Barbalho, o procurador-geral da República requisitará inquérito criminal no Supremo Tribunal Federal (STF)’’, diz o documento.
Com a nota divulgada ontem, torna-se ainda mais fechado o cerco em torno do presidente do Senado. No último sábado, Brindeiro alegara que o parecer da procuradoria do Banco Central, aprovado pelo então presidente da instituição Francisco Gros, não era suficiente para reabrir o processo. O presidente do STF, Marco Aurélio Mello, já avisou em declarações à imprensa que, caso receba um pedido da procuradoria, irá ao Congresso requisitar autorização para processar o senador paraense.
Em nova frente de apuração, os procuradores federais da 5ª Câmara de Defesa do Patrimônio investigam a suspeita de Jader ter cometido crime de lesão ao Tesouro Nacional e não descartam uma ação contra o político pedindo o ressarcimento aos cofres públicos. Nesse caso, a situação do senador pode se complicar, pois a ação não prescreve.
Durante a gestão do presidente do Senado, que foi governador do Pará entre 1983 e 1986, o Banpará recorreu à reserva do Banco Central para pagar 21 cheques administrativos, no valor total de US$ 1,3 milhão, que teriam sido repassados para contas do senador e de seus familiares. Responsável pela investigação sobre os desvios de dinheiro no banco, o procurador federal Paulo de Tarso Braz Lucas pretende concluir essa linha de investigação em 15 dias.

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